Ciência e Saúde
8,4 mil profissionais brasileiros foram escolhidos para ocupar vagas deixadas por cubanos, mas 2,4 mil não compareceram aos locais de trabalho, segundo dados preliminares do Ministério da Saúde divulgados nesta quarta (19). O Ministério da Saúde informou que, até 9h desta quarta (19), 5.972 dos 8.411 médicos brasileiros aprovados na primeira fase da seleção para substituir os cubanos no Mais Médicos se apresentaram nos municípios onde devem atuar. O total representa 71% dos selecionados com o primeiro edital, que era exclusivo para profissionais brasileiros que têm registro nos conselhos regionais de medicina (CRM). Os dados são preliminares, segundo a pasta. Segundo o balanço parcial, 2.439 (29%) médicos aprovados na seleção não compareceram aos locais de trabalho. O ministério informou que irá fazer um levantamento das desistências e das 106 vagas que não foram preenchidas na primeira fase. Com o primeiro edital, 8.411 dos 8.517 postos de trabalho abertos foram ocupados. O total das vagas em aberto devem ser novamente ofertadas a profissionais com CRM no Brasil, segundo a pasta, nos dias 20 e 21 de dezembro. Seleção As inscrições para o Mais Médicos foram abertas no dia 20 de novembro, com o objetivo de selecionar brasileiros para substituir os médicos cubanos do programa. No dia 14 de novembro, Cuba decidiu retirar seus profissionais do país, citando "referências diretas, depreciativas e ameaçadoras" feitas pelo presidente eleito Jair Bolsonaro. A apresentação dos médicos com registro brasileiro era a última etapa da primeira fase de seleção para o programa. Confira, abaixo, os principais pontos desde que o país caribenho resolveu tirar seus profissionais do Brasil: 8.411 médicos com CRM no Brasil foram aprovados para substituir os médicos de Cuba no programa. Para participar desta fase, era necessário ter registro no Brasil (diploma brasileiro ou revalidado aqui). Em seguida, o Ministério da Saúde abriu um novo edital de seleção. Nesse, tanto profissionais com diploma brasileiro quanto aqueles formados no exterior, mesmo sem a revalidação, puderam se inscrever (até 16 de dezembro). Em seguida, a pasta prorrogou o prazo de apresentação dos médicos nos municípios — do dia 14 para o dia 18 de dezembro. Com o fim do prazo de apresentação, a próxima etapa será divulgar o balanço de vagas (previsto para esta quarta, 19, segundo informações divulgadas pelo Planalto). Segundo a pasta, serão somadas as desistências com as vagas que não foram escolhidas na primeira fase. Depois, nos dias 20 e 21 de dezembro, as vagas não ocupadas serão "ofertadas novamente a profissionais com CRM Brasil", segundo o Ministério. Nos dias 27 e 28 de dezembro, os médicos brasileiros formados no exterior terão acesso ao sistema para escolherem as vagas em aberto. Só então os médicos estrangeiros, formados no exterior, poderão escolher municípios onde querem trabalhar: em 3 e 4 de janeiro de 2019. Formados no exterior Segundo o Ministério da Saúde, 10.205 profissionais médicos brasileiros ou estrangeiros formados no exterior completaram a inscrição de participação no Programa Mais Médicos. O prazo para envio de documentos no site do programa terminou no domingo (16). As documentações ainda estão em análise, segundo a pasta informou nesta quarta (19). A pasta não divulgou quantos dos formados no exterior são brasileiros e quantos de outras nacionalidades. Initial plugin text
Ontem (18) foi o Dia Internacional dos Migrantes. E uma nova organização foi formada, no Canadá, para combater o racismo e lutar pela justiça a essas pessoas que são obrigadas a abandonar seus territórios em busca de alguma qualidade de vida. Chama-se Rede de Direitos dos Migrantes e começou a ser desenhada em Toronto há dez dias, num encontro com 60 representantes de 35 organizações. Basicamente, o que a Rede quer é isso: que os migrantes sejam tratados como cidadãos e tenham direitos à educação, à saúde, proteção trabalhista. Escrito em várias línguas, o manifesto é contundente e deixa à mostra um tremendo imbróglio que a humanidade terá que enfrentar cada vez mais daqui para a frente. “Rejeitamos essas categorias de migrantes, irregulares, refugiados. Nós afirmamos nossa humanidade. Solicitamos status de residente permanente para todos os imigrantes e refugiados aqui, e queremos o status de chegada para aqueles que chegarão no futuro. Exigimos o fim das detenções e deportações. Nós exigimos mobilidade de trabalho. Queremos trabalho decente e salários justos. Queremos todas as proteções e direitos. Nós exigimos o fim da discriminação e criminalização de migrantes, refugiados e pessoas racializadas. Nós particularmente exigimos o fim dos racismos. Estamos aqui porque fomos forçados a deixar nossas casas. Estamos aqui porque fomos expulsos pela guerra, pobreza, perseguição, extração, desemprego, opressões sociais e colapso ambiental. Nós fomos deslocados no interesse do lucro para poucos. Somos corajosos - somos o êxodo da América Central, os barcos no Mediterrâneo e as muitas caravanas de migrantes. Nossa luta é tanto pela proteção quanto pela justiça”, diz o documento. Não por acaso, a Rede foi criada no mesmo dia em que as Nações Unidas, em Assembleia no Marrocos, assinaram um Pacto Global para Migração. O acordo foi mantido por 160 países, entre os quais o Brasil, que, logo depois, soube-se que vai se retirar do pacto assim que Jair Bolsonaro assumir o poder. E, em reunião paralela, a Cúpula dos Povos por um Pacto Global de Solidariedade, formada por migrantes, também em Marrakech, decidiu não apoiar o Pacto. Tanto quanto a Rede que se criou ontem, eles consideram este acordo global um pouco mais do mesmo. Entenda o que é o Pacto Mundial para Migração “Propomos um Pacto Global de Solidariedade pelos Direitos dos Migrantes que estabeleça a primazia dos direitos humanos das pessoas sobre os lucros e interesses dos Estados e transnacionais, assegurando multilateralmente a democracia nas Nações Unidas. Este acordo promoveria a autodeterminação, a democracia e a soberania alimentar das pessoas, permitindo a implementação de economias locais sustentáveis, justas e solidárias, assegurando que as comunidades tenham direito a uma vida decente nos seus territórios sem terem que ser deslocadas à força”. O pacto entre os países assinado pelas Nações Unidas não é vinculante, ou seja, não há obrigatoriedade de cumpri-lo. Foi estudado com o objetivo de ordenar as migrações pelo mundo, já que são, hoje, 258 milhões de pessoas que estão fora de seus territórios em busca de outro. No site da ActionAid, organização que tem como missão lutar por um mundo sem pobreza e injustiça, há uma análise criteriosa do Pacto, que pode explicar o desânimo dos migrantes com relação a ele. “O Pacto reconhece a importância das políticas de integração e coesão social e a luta para acabar com todas as formas de discriminação. Mas não fornece soluções claras sobre questões como proteção, em particular a falta de clareza sobre alternativas à detenção, caminhos de migração legal e segura, políticas de repatriados baseadas em direitos e a criminalização da solidariedade. O Pacto não envia mensagens claras condenando a abordagem da UE ou evocando a repressão desumana dos direitos dos migrantes em todo o mundo, desde a fronteira dos EUA com o México até os centros de detenção da Austrália em Papua Nova Guiné. Outro aspecto crítico é a dimensão de gênero. Mesmo que o Pacto reconheça a importância das políticas migratórias sensíveis ao gênero, não consegue ter em conta as formas múltiplas e interseccionais de discriminação enfrentadas pelas mulheres migrantes. Finalmente, o documento não é juridicamente vinculativo e não impõe quaisquer limites à soberania do Estado na definição da política de migração. Isso levanta sérias dúvidas sobre sua capacidade de influenciar as políticas de migração por meio de um novo sistema de governança multilateral.”, diz o texto. De qualquer forma, e mesmo com tais questões, dizem os integrantes da ActionAid, “recusar-se a adotar o Acordo significa perder a oportunidade de desempenhar um papel coletivo ao enfrentar os desafios da migração e reconhecer seus benefícios”. É real o engessamento quando se tenta construir tratados e acordos entre tantos países. Como também fica claro que os migrantes carregam consigo ressentimentos, já que se veem obrigados a abandonar suas casas por culpa de outros. A situação é delicada, merece um tratamento que não siga a bula dos que pensam e agem como se o mundo ainda vivesse em épocas passadas. Não há como falar em soberania nacional, não há como viver em bolhas se a fome e a miséria estão batendo à nossa porta diariamente. A solidariedade precisa ser resgatada. Amélia Gonzalez Arte/G1
Publicação em revista científica prestigiada detalha as graves consequências do aquecimento global para a saúde. Mulheres se refrescam com borrifador de água público em Lille, na França, durante onda de calor na Europa Philippe Huguen/AFP Já há algum tempo, cientistas do mundo todo têm chamado a atenção para o impacto das mudanças climáticas no meio ambiente. Em novembro, um relatório publicado pela revista científica britânica The Lancet fez um alerta para as graves consequências das ondas de calor também para a saúde humana. O dossiê, chamado The Lancet Countdown: Tracking Progress on Health and Climate Change (Contagem regressiva: Saúde e Mudanças Climáticas, Acompanhando a Evolução), é publicado anualmente desde 2016. A publicação cita problemas gerados pelo aumento das temperaturas como o estresse por calor, insuficiência cardíaca e lesão renal aguda por desidratação. Afirma ainda que, no ano passado, cerca de 157 milhões de pessoas em todo o mundo estiveram em situação de vulnerabilidade por conta das ondas de calor, um aumento de 18 milhões de indivíduos em relação a 2016. E, em média, cada pessoa foi exposta de 1 a 4 dias adicionais de ondas de calor entre 2000 e 2017, comparado com a base 1986-2005. São problemas que se pronunciam também no Brasil com a proximidade do verão, cujo início oficial será em 21 de dezembro – embora ele pareça já ter começado em muitos lugares do país, que já sofrem com o calor extremo. Depois do início da estação, a previsão é de temperaturas ainda mais elevadas que as registradas nos últimos dias. Segundo Josefa Morgana Viturino de Almeida, meteorologista chefe do Centro de Análise e Previsão do Tempo do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), a estação deve ser entre 0,4º a 0,6º mais quente do que a média do verão passado, com exceção de áreas pontuais, como o extremo sul do Brasil e regiões serranas. "No geral, a tendência é de calor acima da média e bastante chuva. Também há uma probabilidade de 75% a 80% de estabelecimento do El Niño (aquecimento anômalo das águas do Oceano Pacífico Equatorial) a partir de dezembro deste ano e início de 2019", comenta a especialista. Confira abaixo os principais males para a saúde decorrentes das altas temperaturas. Estresse por calor São vários os males provocados ou agravados pelo clima quente. Muitos deles, inclusive, são citados no documento da Lancet, como o estresse por calor (ou estresse térmico). Como explica Mayara Floss, da Sociedade Brasileira de Medicina de Família e Comunidade (SBMFC), uma das organizações brasileiras que participaram da elaboração do relatório, quando exposto a temperaturas elevadas, o corpo humano sente dificuldade para se adaptar, e aí precisa promover algumas alterações para se defender. "Nesta situação, o calor produzido dentro do corpo é transferido para a superfície da pele através do sistema circulatório e do contato interno dos tecidos. Ocorre, por exemplo, a dilatação dos vasos para aumentar o fluxo de sangue e a eliminação de suor para equilibrar a temperatura. O corpo também pode perder água e sais minerais e desidratar", relata. Se a pessoa continuar exposta ao sol, o caso tende a ficar mais grave, transformando-se em insolação. "Nosso corpo não pode chegar a 40 graus. Se isso acontece, órgãos param de funcionar, levando ao coma e até a morte", acrescenta a especialista, destacando que o perigo é maior para crianças, idosos, grávidas, trabalhadores de áreas externas e pessoas que já tenham algum problema de saúde, como doenças respiratórias, mentais, renais e cardiovasculares. O importante para evitar o estresse por calor e seus agravantes é se manter bem hidratado, com a ingestão de água e isotônicos; evitar a exposição solar entre 10h e 16h, evitar excesso de álcool e os exercícios extremos; usar roupas leves e soltas e passar o máximo de tempo possível em ambientes frescos. Floss também recomenda pensar mais no planeta: "As pessoas devem plantar árvores, não desmatar, trocar o carro pelo transporte público e a bicicleta e tornar os espaços urbanos mais verdes." Mosquitos transmissores de doenças Outra grande preocupação no verão são as enfermidades como dengue, chikungunya, zika e febre amarela, transmitidas por mosquitos vetores. Só para se ter uma ideia, de acordo com um dado publicado no The Lancet Countdown, a capacidade de transmissão do vírus da dengue global em 2016, levando em conta que ela é influenciada por umidade, chuva e temperatura, foi a mais alta já registrada: subiu 9,1% para o Aedes aegypti e 11,1% para o Aedes albopictus (tipo silvestre) em relação ao ano anterior. "Os mosquitos vetores gostam do calor. Quanto mais quente, melhor para eles", diz Enrique Barros, médico de família e também membro da SBMFC. "E não só isso. As questões ecológicas (urbanização desordenada, falta de saneamento e desmatamento) também estão totalmente relacionadas a este problema", complementa. Entre as medidas individuais para passar longe das doenças citadas estão: tomar vacina quando houver este tipo de proteção; não circular em áreas de risco; usar repelente e roupas que cubram a maior extensão possível de pele; e instalar mosquiteiros nos quartos e telas nas janelas. Junto a isso, é preciso manter as casas e as ruas limpas, fechar bem os lixos e não deixar água parada - habitat ideal para reprodução dos insetos. Problemas vasculares e de pele Embora o relatório da Lancet não cite especificamente os problemas vasculares como consequência do aumento das temperaturas no mundo, eles são muito verificados no Brasil, de acordo com Breno Caiafa, presidente da Sociedade Brasileira de Angiologia e Cirurgia Vascular do Rio de Janeiro (SBACV-RJ). "Como o calor provoca vasodilatação, há sobrecarga da circulação, principalmente nas pessoas que já possuem histórico de varizes, trombose e insuficiência venosa. Isso pode causar edemas (inchaços) nas pernas, devido ao acúmulo de líquido fora dos vasos, bem como dores, sensação de peso, ardência e coceiras", relata o médico. As altas temperaturas ainda aumentam o risco de alergias e erisipela, infecção na derme e no tecido subcutâneo, ocasionada pela proliferação de bactérias e que pode provocar alterações dos vasos linfáticos (vasos auxiliares na drenagem dos membros inferiores). Nesta época, Caiafa indica o reforço dos hábitos saudáveis, o que inclui alimentação equilibrada e, de preferência, com pouco sal, boa hidratação, praticar atividade física regularmente, não ficar longos períodos na mesma posição, fazer massagem e drenagem linfática, não usar roupas muito apertadas e evitar o consumo de álcool. "Quem tem problema vascular também precisa procurar o cirurgião vascular ou o angiologista no verão para mais orientações e regulação dos medicamentos", complementa o especialista - o mesmo vale para os hipertensos, já que na estação mais quente do ano é comum haver queda da pressão arterial. Abrão Cury, cardiologista e clínico geral do HCor (Hospital do Coração), de São Paulo, orienta que as pessoas fiquem mais atentas à alimentação nos dias de calor intenso, pois as altas temperaturas favorecem a proliferação de bactérias em certos itens, como maionese, molhos, condimentos e frutos do mar, aumentando o risco de contaminação. O importante, então, é se assegurar da procedência e da qualidade do que será consumido, armazenar os produtos corretamente e descartar os que estiverem com aspecto ou cheiro estranho, em especial na praia. Mais uma preocupação que vem com os dias quentes é o câncer de pele, doença que, pelos dados da Sociedade Brasileira de Dermatologia, representa um terço de todos os diagnósticos de câncer no Brasil. "O verão é o período de maior intensidade dos raios ultravioletas, tornando a exposição solar mais perigosa, especialmente para as pessoas de pele clara. Claro que se for algo pontual não há tanto problema, mas, quando se torna frequente, as chances aumentam bastante", afirma. Cury informa que a melhor forma de se proteger é com exposição solar moderada, evitando os horários das 10h às 16h, e uso de filtro solar adequado, com alto fator de proteção, ressaltando que é fundamental seguir as especificações dos fabricantes e reaplicar nos prazos indicados. Relatório The Lancet Countdown Desde 2016, a revista científica britânica The Lancet publica o relatório The Lancet Countdown: Tracking Progress on Health and Climate Change. A edição deste ano contou com a participação de 27 instituições acadêmicas de todos os continentes, incluindo as brasileiras, Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), Sociedade Brasileira de Medicina de Família e Comunidade (SBMFC) e Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), a Organização das Nações Unidas (ONU) e agências governamentais.
Conclusão dos arqueólogos está relacionada à robustez observada nos ossos dos braços. Esqueleto foi encontrado em agosto em terreno de obras. Arqueóloga Luciane Zanenga Scherer trabalhou nas análises do esqueleto pré-histórico encontrado em terreno de obras de Florianópolis Pipo Quint/Agecom/Divulgação A Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) divulgou que o esqueleto pré-histórico quase completo encontrado em um terreno de obras em agosto em Florianópolis devia pertencer a um homem com atividades diárias voltadas para o mar. A conclusão dos arqueólogos está relacionada à robustez observada nos ossos dos braços. Informações sobre o esqueleto foram divulgadas nesta terça-feira (18) pela universidade. A ossada foi encontrada em 29 de agosto no sítio arqueológico localizado no terreno de obras para o Elevado do Rio Tavares. A prefeitura informou que partes de outros esqueletos já foram encontradas no local anteriormente. A ossada estava enterrada. Os arqueólogos trabalham no local da obra desde abril de 2015. Ossos da face do esqueleto pré-histórico encontrado em terreno de obras de Florianópolis Pipo Quint/Agecom/Divulgação Análise dos ossos Segundo a UFSC, o homem tinha baixa estatura e possivelmente circulava na região do Rio Tavares e áreas próximas. Comia bastante peixe e deve ter morrido com mais de 25 anos. A robustez encontrada nos ossos dos braços já foi observada em outras ossadas, inclusive lesões por esforço indicativas da atividade de remar, conforme a arqueóloga da UFSC Luciane Zanenga Scherer. Quando morreu, o homem teve o corpo pintado com ocre, um pigmento vermelho, e enterrado de barriga para baixo, com o rosto voltado para o chão. Provavelmente ele morreu antes de Cristo e seja um dos primeiros a ser sepultado nesse sítio arqueológico, conforme as análises preliminares. Esqueleto pré-histórico foi encontrado em sítio arqueológico em terreno de obras de Florianópolis em agosto Osvaldo Paulino da Silva/Arquivo pessoal O relatório final sobre o esqueleto, e de outros dois encontrados na primeira fase das escavações, será enviado ao Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) em 2019, de acordo com a arqueóloga. Uma amostra das costelas será separada para o exame de datação por radiocarbono. Isso vai possibilitar uma indicação precisa da idade do esqueleto. Os fragmentos dos ossos serão enviados para um laboratório nos Estados Unidos especializado nesse tipo de análise. Após a entrega do relatório, a ossada e os materiais encontrados no sítio arqueológico serão encaminhados para o Museu de Arqueologia e Etnologia Professor Oswaldo Rodrigues Cabral (MArquE), localizado no campus da UFSC em Florianópolis. O esqueleto ficará disponível para ser pesquisado por outros cientistas. Esqueleto pré-histórico encontrado em sítio arqueológico em terreno de obras de Florianópolis Pipo Quint/Agecom/Divulgação Veja mais notícias do estado no G1 SC
A gripe espanhola matou rapidamente e em grande número. Outras pandemias de gripe nos tempos modernos foram muito menos letais. Por quê? Epidemia de 1968 espalhou-se rapidamente pelo mundo, infectando mais pessoas do que a gripe de 1918 - mas causando muito menos mortes BBC Se você está lendo esta reportagem, provavelmente viveu pelo menos uma pandemia global de gripe - uma tão contagiosa quanto a cepa mortal de 1918. Houve o surto de 1957 (a chamada gripe asiática) e a gripe de Hong Kong, em 1968 . Quarenta anos depois, em 2009, foi a vez da gripe suína. Cada uma dessas pandemias tinha origens semelhantes, surgindo, de um jeito ou de outro, de um vírus animal que evoluiu e passou a ser transmitido entre humanos. No entanto, a grande diferença entre elas foi o número de mortos. Acredita-se que entre 40 e 50 milhões de pessoas tenham morrido na pandemia de gripe espanhola de 1918 - em comparação com 2 milhões na asiática e de Hong Kong, e 600 mil na da gripe suína, ambas com mortalidade inferior a 1%. O custo humano da pandemia de 1918 foi tão grande que muitos médicos continuam a descrevê-la como o "maior holocausto médico da história". Mas o que fez dela tão mortífera? E esse conhecimento poderia nos ajudar a nos preparar para uma pandemia semelhante no futuro? Entender essas pandemias seria impossível sem os enormes avanços da medicina ao longo do século 20. Os médicos em 1918 tinham acabado de descobrir a existência dos vírus. "E eles não sabiam que um vírus causava essas doenças", diz Wendy Barclay, da Universidade Imperial College London, uma das mais importantes do Reino Unido. Tampouco existiam medicamentos e vacinas antivirais que agora podem ajudar a conter sua propagação e promover uma recuperação mais rápida dos doentes. Muitas mortes por gripe também são causadas por infecções bacterianas secundárias que se instalam no paciente enfraquecido, causando complicações como a pneumonia. Antibióticos como a penicilina - descoberta em 1928 - permitem agora que médicos reduzam esse risco, mas em 1918 esse tratamento não existia. Defesas mais robustas "Nossa infraestrutura de saúde e ferramentas de diagnóstico e terapêuticas são muito mais avançadas hoje", diz Jessica Belser, que trabalha na divisão de influenza do Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) dos EUA. Além da falta de ferramentas médicas básicas em 1918, as mortes também teriam sido um resultado direto das terríveis condições de vida naquele momento trágico da história da humanidade. As trincheiras se tornaram o ambiente perfeito para infecções entre soldados da Primeira Guerra Mundial. "O vírus surgiu quando as populações, que anteriormente tinham pouco contato umas com as outras, se encontraram no campo de batalha", diz Patrick Saunders-Hastings, da Universidade Carleton, em Ottawa, no Canadá. "E, em muitos casos, eles estavam subnutridos e se recuperando de outros ferimentos". As deficiências de vitamina B, em particular, aumentaram as taxas de mortalidade em pandemias posteriores, diz ele. Mesmo aqueles que não lutaram na guerra viviam em ambientes fechados e populosos, que acabaram potencializando a exposição ao vírus. Isso não apenas acelerou a transmissão, elevando as chances de que as pessoas fossem infectadas, mas também aumentou a gravidade dos sintomas. "Sabemos que quanto maior a carga viral, mais doente você fica, porque o vírus é capaz de sobrecarregar o sistema imunológico e se manter mais potente em seu corpo", explica Barclay. "Também sabemos que uma melhoria nas condições de saneamento e higiene, associada à industrialização e à diminuição generalizada da pobreza, contribuíram significativamente para a queda da mortalidade por doenças infecciosas no século 20", diz Kyra Grantz, da Universidade da Flórida. Analisando documentos arquivados em Chicago durante a pandemia de 1918 , Grantz mostrou que fatores como densidade populacional e desemprego influenciavam diretamente a chance de alguém contrair a doença. Curiosamente, os dados também parecem mostrar uma forte ligação entre o risco de mortalidade e as taxas de analfabetismo em diferentes regiões da cidade. Isso porque o analfabetismo é um indicador de pobreza. Mas é possível que a falta de educação formal de uma pessoa também tenha desempenhado um papel direto na progressão da doença. "Houve enormes esforços feitos por autoridades de saúde pública para deter o surto em Chicago, incluindo uma quarentena em toda a cidade, o fechamento de escolas e a proibição de aglomerações sociais", diz Grantz. "Mas essas medidas só são eficazes se as pessoas entendem por que estão sendo tomadas e aderirem a elas" Caso extremo Apesar de tais fatores, muitos cientistas acreditam que o vírus em si também foi particularmente violento - embora tenha sido necessário mais de um século para entender exatamente o motivo. No momento em que as técnicas para capturar, armazenar, cultivar e analisar vírus haviam sido inventadas, a cepa original já tinha desaparecido. Mas os recentes avanços na tecnologia genômica permitiram aos cientistas ressuscitar um vírus ativo a partir de amostras históricas inertes. Eles, então, o usaram para infectar animais de laboratório, como macacos, e estudar seus efeitos. Além de se replicar muito rapidamente, a cepa de 1918 parece desencadear uma resposta particularmente intensa do sistema imunológico, incluindo uma rápida liberação de células brancas e moléculas inflamatórias. Embora uma resposta imunológica robusta deva nos ajudar a combater a infecção, uma reação exagerada desse tipo pode sobrecarregar o organismo, levando a uma inflamação grave e a um acúmulo de líquido nos pulmões que pode aumentar a chance de infecções secundárias. Essa "tempestade imunológica" pode ajudar a explicar por que os adultos jovens e saudáveis - que normalmente se recuperam de uma gripe mais rápido - foram os mais afetados, já que seus sistemas de defesa são mais fortes. Origens Mas para entender por que a cepa de 1918 teria esse efeito, precisamos retornar às suas origens. Acredita-se que a gripe de 1918 evoluiu de uma cepa que infecta normalmente aves - passando por mutações que lhe permitiram infectar as vias aéreas superiores. Isso fez com que ela passasse a ser transmitida pelo ar com mais facilidade - por meio de tosses e espirros. Esse aspecto é importante por duas razões. Sem exposição prévia ao vírus, o sistema imunológico do corpo não teria sido capaz de produzir uma resposta eficiente. Igualmente importante é o fato de que o vírus em si ainda não tinha se adaptado totalmente à vida em um corpo humano. Ao contrário do que muitos pensam, não é do interesse de um vírus matar seu hospedeiro. "Não é bom para o vírus matar o hospedeiro assim que ele é infectado, porque esse hospedeiro tem menos chance de transmitir o vírus para outras pessoas", diz Barclay. Em vez disso, só precisa "pegar uma carona" por tempo suficiente para se espalhar pela tosse e pelo espirro. Como resultado, a maioria dos vírus evolui para se tornar menos patogênico ao longo do tempo - mas isso não aconteceu com o de 1918. As pandemias posteriores, por outro lado, já tinham incorporado algumas dessas adaptações antes de se espalharem pelo mundo - e, como resultado, acabaram sendo menos mortíferas. A pandemia de 1957, por exemplo, surgiu quando uma cepa humana existente do vírus adquiriu alguns genes de uma espécie de aves. O resultado foi uma versão altamente contagiosa, mas os componentes humanos existentes significavam que ela ainda era menos letal que um vírus puramente de origem aviária. Da mesma forma, em 1968, a chamada gripe de Hong Kong veio de outra versão "remontada" dos vírus existentes que já carregavam adaptações menos virulentas. A pandemia de 2009, por sua vez, foi uma gripe suína originada em porcos - que, embora não idênticos aos humanos, têm características mais semelhantes às nossas do que as das aves, ou seja, já acumulou algumas adaptações que atenuaram sua virulência. Estudar esses processos não apenas nos ajuda a entender tragédias do passado, identificando as características genéticas que foram responsáveis pelos efeitos devastadores da pandemia de 1918, mas também nos preparar para evitar tragédias semelhantes no futuro. "Do meu ponto de vista, ter mais informações sobre os vírus pandêmicos do passado pode ajudar a orientar nossa tomada de decisão e conhecimento, assim como nos orientar sobre como lidar melhor com futuras ameaças", conclui Belser.
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