Ciência e Saúde
Meteorito lunar de 5,5 quilos é arrematado por valor acima do esperado em leilão nos EUA. Fragmento foi encontrada na África no ano passado e deverá ser exposto em templo no Vietnã. Meteorito lunar descoberto na África em 2017 é vendido por US$ 612,5 mil durante leilão em Boston AP Photo/Rodrique Ngowi Um meteorito lunar encontrado no ano passado no norte da África foi vendido por mais de US$ 600 mil, anunciou uma casa de leilões dos Estados Unidos nesta sexta-feira (19). A oferta vencedora - de US$ 612,5 (cerca de R$ 2,2 milhões) - foi feita por uma pessoa ligada ao complexo religioso Tam Chuc Pagoda, localizado na província de Há Nam, no Vietnã, e que será a nova casa do meteorito, segundo a casa de leilões RR Auction, de Boston. A peça será exposta ao público em um dos templos do complexo, um local dedicado à oração e aos estudos de ciências e da natureza, bastante conhecido entre turistas e budistas. Apelidado de "Buagaba" ou "quebra-cabeça lunar", o meteorito é composto de seus fragmentos que se encaixam como num quebra-cabeça, formando um bloco que pesa cerca de 5,5 quilos. A crosta de fusão parcial visível em um dos lados do meteorito foi causada pelo calor gerado quando ele cruzou a atmosfera terrestre. O fragmento se desprendeu da superfície da Lua num passado distante – provavelmente devido ao impacto de outro meteorito – e então viajou 384 mil quilômetros rumo à Terra, sobrevivendo à descida. Ele foi descoberto numa área deserta remota na Mauritânia. O valor alcançado no leilão superou as expectativas da RR Auction, que havia previsto uma venda por US$ 500 mil. Segundo a casa de leilões, trata-se do maior quebra-cabeça lunar já encontrado e um dos mais significantes fragmentos da Lua a ser colocado à venda.
Em 2017, apenas 5 mil frascos de 1,5 ml foram adquiridos. Neste ano, segundo governo comprou 70 mil. Ilustração mostra a infecção da tuberculose, com nódulo sólido localizado na parte superior do pulmão Kateryna Kon/Science Photo Libra/KKO/Science Photo Library/AFP/Arquivo Após recomendação do Tribunal de Contas da União (TCU), o Ministério da Saúde retomou o abastecimento dos testes tuberculínicos do tipo PPD RT 23, usados para detectar se uma pessoa tem a infecção pela bactéria causadora da tuberculose. Devido a uma escassez do produto, a compra em 2017 foi prejudicada e apenas 5 mil frascos – 75 mil doses – foram adquiridos. Já em 2018, foi realizada compra de 70 mil frascos de 1,5 ml, quantidade que equivale a mais de 1 milhão de doses. Os dados foram adquiridos pelo G1 via Lei de Acesso à Informação (LAI). Em janeiro de 2017, o TCU iniciou a apuração de uma denúncia de desabastecimento dos testes. De acordo com notícia publicada no site da Câmara dos Deputados, a fiscalização foi solicitada por uma Comissão da casa. A deputada Laura Carneiro argumentou que o governo federal foi informado que o laboratório produtor, localizado na Dinamarca, tinha interrompido a produção. Em nota, o Ministério da Saúde disse que a distribuição está regularizada desde julho e que a quantidade é suficiente para atender a demanda de todos os estados e do Distrito Federal por pelo menos um ano. Os testes Os testes do tipo PPD RT 23 não são diagnósticos – não confirmam o desenvolvimento da tuberculose. Eles detectam a presença do Bacilo de Koch no corpo, mas não necessariamente que o paciente está doente. "Não detecta a doença, ele detecta a infecção tuberculose", explica Helio Bacha, consultor da Sociedade Brasileira de Infectologia. Mas para que ele serve? Quando uma pessoa entra em contato com a bactéria da tuberculose, podem acontecer três coisas, de acordo com o médico infectologista Rafael Sacramento: ela é eliminada, ela causa a doença e é eliminada, ou ela fica no corpo. A Organização Mundial da Saúde estima que um terço da população do mundo tem contato com a bactéria causadora da doença, que é transmitida através da inalação. O teste PPD serve para detectar se o paciente já teve esse contato com o bacilo, com a detecção dos anticorpos. Em populações com maior risco de queda de imunidade, como a carcerária, os indígenas, os portadores do vírus HIV, os moradores de rua, entre outros, conhecer o tamanho do problema pode ser um caminho para prevenir versões mais resistentes do micro-organismo e fazer um controle de ambientes propícios à doença. "Os presídios brasileiros, em especial os do nordeste e do Amazonas, são verdadeiras fábricas de casos de tuberculose. Você junta todo mundo em um ambiente com pouca circulação de ar e esquece", disse Sacramento, que atua no tratamento de detentos em Pernambuco. Desde 2006, o Conselho Nacional de Política Criminal e Penitenciária recomenda que todo preso ingresso no sistema prisional realize exames admissionais para a tuberculose. Em 2017, foram 79.222 casos novos ou reincidentes da doença no Brasil – 78% deles tinham infecção por HIV conhecida. Helio Bacha, consultor da Sociedade Brasileira de Infectologia, conta que o teste é usado também para a comparação em profissionais de saúde: "Nós utilizamos muito para fazer, por exemplo, a análise numa população de um hospital e ver qual a porcentagem de viragem tuberculínica naqueles trabalhadores da saúde. Na população normal, nós tínhamos um aumento de 2% a 3%. Se no hospital, é uma alta de 10%, nós não estamos cuidando bem daqueles profissionais de saúde". Segundo Bacha, existem outros exames para detectar a infecção por tuberculose - moleculares, cultura. Eles são mais precisos, mas também mais caros. No caso desse lote comprado pelo governo, de 70 mil frascos, cada unidade custou R$ 27,43.
Ariane 5 foi lançado na noite desta sexta (19), da base de Kourou, na Guiana Francesa. Nave não tripulada para o planeta Mercúrio é lançada Tendo como destino Mercúrio, um foguete Ariane 5 foi lançado na noite desta sexta (19), da base de Kourou, na Guiana Francesa, com duas sondas espaciais para tentar desvendar os mistérios deste que é considerado o "elo perdido" dos planetas rochosos. As duas sondas da missão BepiColombo, a bordo do foguete-lançador europeu, "voltarão como um cavaleiro branco, com melhores dados e mais precisos", diz Alain Doressoundiram, astrônomo do Observatório de Paris. Mas, antes de alcançar Mercúrio, as sondas vão viajar durante sete anos e percorrer 9 bilhões de quilômetros. "Para entender a formação da Terra", é preciso esclarecer primeiro "a formação dos planetas rochosos (Mercúrio, Vênus, Terra e Marte) em seu conjunto. Mas Mercúrio difere de seus similares e não sabemos por que", disse Doressoundiram. Para estudar esses mistérios, 16 instrumentos viajam a bordo das sondas, uma da Agência Espacial Europeia (ESA) e outra da Agência Japonesa de Exploração Aeroespacial (Jaxa). Foguete Ariane 5 decola de sua plataforma de lançamento em Kourou, no Centro Espacial Europeu, na Guiana Francesa Jody Amiet / AFP Planeta 'estranhamento e pequeno' Com diâmetro de 4.879 quilômetros (a Terra tem 12.756), Mercúrio é o menor planeta do Sistema Solar. Para Pierre Bousquet, chefe do projeto da contribuição francesa à missão BepiColombo, Mercúrio é "estranhamente" pequeno. Essa particularidade sugere que, em sua juventude, Mercúrio sofreu o impacto de um grande objeto. "Há uma enorme cratera visível em sua superfície que poderia ser a cicatriz desse cataclismo", segundo o engenheiro. A missão Bepicolombo vai tentar estudá-la. Essa hipótese permitiria explicar também o tamanho incomumente grande do núcleo de Mercúrio (55% da massa total do planeta contra 30% no caso da Terra). Campo magnético Com exceção da Terra, Mercúrio é o único planeta telúrico que tem um campo magnético, gerado por um núcleo líquido. Segundo o tamanho do núcleo de Mercúrio, o planeta teria que ter esfriado com o passar do tempo e solidificado, como Marte. Especialistas têm muitas teorias para tentar entender essa possível anomalia, como a presença de um elemento no núcleo que impediria que o planeta esfriasse. Estudando seu campo de gravidade, as duas sondas poderiam definir a composição e a estrutura do planeta. Resta explicar por que o núcleo do planeta é diferente do resto dos planetas rochosos, apesar de terem se formado praticamente no mesmo lugar. Temperaturas extremas Em Mercúrio, o calor é extremo durante o dia (430°C) e durante a noite a temperatura cai de forma abrupta (- 180°C), uma variação que na Terra ocorreria com a mudança das estações. Apesar do calor durante o dia, várias missões anteriores revelaram a presença de gelo no fundo das crateras polares. Os pesquisadores acreditam que esse gelo foi se acumulando ao longo de bombardeios de cometas e teria escapado dos raios ultravioleta do sol. "É algo que suspeitamos, mas não temos uma prova direta. BepiColombo vai verificar com suas câmeras infravermelhas", diz o astrônomo Alain Doressoundiram. "Se for confirmada a presença de gelo, teria também uma amostra de água e alguns traços datariam praticamente do início do Sistema Solar", diz Pierre Bousquet. Análise dos ventos solares Mercúrio é o planeta mais próximo do sol, a 58 milhões de quilômetros (a Terra dista 149,6 milhões de quilômetros de nossa estrela). Por isso, "recebe diretamente os ventos solares", um fluxo constante de partículas ionizadas que se deslocam a mais de 500 quilômetros por segundo, segundo Bousquet. Os pesquisadores poderiam estudar o impacto desses ventos - 10 vezes mais fortes que na Terra - sobre o campo magnético do planeta e também explicar como eles afetam a superfície a longo prazo. Os cientistas temem que na Terra se registre uma tempestade solar potente, capaz de afetar a rede elétrica durante meses ou até anos em algumas regiões.
Segundo declaração das instituições envolvidas, o médico Piero Anversa falsificou cerca de 30 artigos científicos. Médico Piero Anversa, acusado de falsificar artigos científicos Brigham and Women's Hospital Uma das revistas médicas mais prestigiada dos Estados Unidos, a "New England Journal of Medicine (NEJM)", retirou nesta quarta-feira (17) um artigo sobre células-tronco acusado de falsificação. Cerca de 30 artigos do autor principal seriam falsos. Em uma declaração extraordinária, a escola de medicina de Harvard e o hospital afiliado Brigham and Women, em Boston, acusaram o médico Piero Anversa, ex-diretor de laboratório nessas instituições, de ter "falsificado e/ou inventado dados" publicados em 31 artigos. As instituições disseram aos sites especializados "STAT" e "Retraction Watch" que solicitaram às revistas que retirassem os artigos publicados de autoria de Anversa. No mundo das pesquisas científicas, uma retratação é a pior rejeição para o trabalho de um pesquisador. Significa que o artigo ou estudo apresenta sérios problemas ou erros, intencionais ou não. Neste caso, o artigo que a NEJM retirou havia feito muito barulho em 2011. Vários meios de comunicação, incluindo o G1 e a AFP, deram cobertura. O doutor Anversa havia anunciado a descoberta das primeiras células-tronco para a regeneração dos pulmões, dizendo que poderiam abrir caminho para o tratamento de doenças pulmonares crônicas. O pesquisador anunciou várias "descobertas" sobre células-tronco cardíacas, ganhando notoriedade e poder nesse campo, o que, por sua vez, teria permitido que ele recebesse 10 milhões de dólares de recursos públicos. Mas há vários anos aumentaram as dúvidas sobre a veracidade de seu trabalho. Outros pesquisadores não puderam replicar seus resultados. Os artigos foram corrigidos e, em 2014, haviam feito uma retratação, na revista americana "American Heart Association", Circulation. Depois vieram mais 30. "Um princípio fundamental da ciência é que todos os artigos publicados devem se basear nas práticas de pesquisa rigorosas. Quando essas práticas se desviam da norma, as consequências são graves para toda a ciência. A comunidade científica é interdependente e dependente do rigor e boa fé dos pesquisadores", acrescentaram em um comunicado Harvard e Brigham and Women.
Após terminar o relacionamento, Diane Reeve descobriu que estava com Aids e que seu então parceiro havia transmitido o vírus para pelo menos outras 13 mulheres. Diane e Philippe se conheceram em uma plataforma de namoro virtual Diane Reeve/Arquivo Pessoal Diane Reeve não esperava se envolver novamente com alguém depois que seu casamento de 18 anos acabou. Mas, em 2002, aos 50 anos, ela se apaixonou. O que ela não sabia era que seu novo namorado, Philippe Padieu, era infiel e a contaminaria com HIV, vírus causador da Aids. Em seu relato, a seguir, ela conta como foi o romance e como descobriu a doença e as traições. E como obteve Justiça depois de tudo isso. Como tudo começou Eu tinha desistido de amar de novo, mas algumas pessoas me convenceram de que eu era jovem demais para isso. Disseram que eu deveria "voltar ao mercado" – e sugeriram uma plataforma de namoro virtual. Foi muito chocante. Eu estava prestes a desistir quando recebi uma mensagem de Philippe. Foi apenas um breve "gostei do seu perfil, queria te conhecer", mas fiquei intrigada. Ele era francês e muito bonito. Pensei: "Ok, vai ser a última vez, e acabou." Nos encontramos na minha academia de artes marciais – ele também praticava artes marciais – e fomos até um restaurante da região. Em meio a drinques e aperitivos, conversamos por uma hora. Fiquei encantada e acho que ele também ficou. Começamos a sair com bastante regularidade. Diane tem uma academia de artes marciais, um dos hobbies de Philippe Alyssa Vicent Photography Philippe era analista de segurança de uma grande empresa, mas foi demitido um ano depois que começarmos a namorar. Enquanto ele estava procurando emprego, sugeri que me ajudasse na academia. Nessa época, a gente costumava sair depois do trabalho e passar a noite juntos. Tínhamos conversado sobre "exclusividade" logo no início do relacionamento, então, a gente se via três ou quatro vezes por semana - no resto do tempo, eu estava ocupada com a academia. Eu estava feliz, ele estava feliz. Ficamos juntos por quatro anos e meio. Em 2006, minha filha se casou e fizemos uma cerimônia maravilhosa. Philippe estava presente – ele gravou um vídeo da ocasião – e tínhamos planejado um jantar em família depois. Mas ele me ligou do celular e disse: "Não vou poder ir, não estou me sentindo bem". Ele não ligou do telefone fixo, o que me deixou desconfiada. E fiquei furiosa porque o jantar era muito importante para mim. Fui sozinha, mas quando estava voltando, resolvi passar na casa do Philippe para ver como ele estava. A porta estava trancada, as luzes apagadas e o carro não estava lá. Sentei na entrada da garagem e chorei por um bom tempo. Comecei, então, a ficar com raiva. Como eu pagava a conta do celular dele, tinha acesso à caixa postal. Duas mulheres diferentes tinham deixado mensagens – e era óbvio que ele tinha combinado algo com elas. Esperei por pelo menos hora e meia até que, finalmente, vi o carro dele dobrando a esquina. Suspeitas se confirmando Quando Philippe avistou meu carro, desviou imediatamente - sabia que algo estava acontecendo. Comecei a segui-lo pelas ruas do bairro até que ele pegou a estrada. Estava dirigindo a cerca de 140 quilômetros por hora e eu estava bem atrás dele. Pensei: "Posso perseguir você a noite toda, tenho um tanque cheio de gasolina". Finalmente, ele acabou encostando o carro. Aos berros, o acusei de traição. "Você não deveria ter invadido minha caixa postal!", ele rebateu. Estava tão irritado que começou a bater no carro. E isso me assustou. Era o fim. Nós terminamos em um sábado. Na segunda-feira seguinte, fiz um exame ginecológico e, quando os resultados chegaram, revelaram anomalias nas células cervicais. Eu estava com HPV, o vírus do papiloma humano, que é sexualmente transmissível. Nunca tive isso antes, então, sabia que ele tinha me contaminado. Estava em choque e com medo – tive que fazer uma cirurgia para remover as células anômalas e não sabia se aquilo poderia evoluir para um câncer ou não. Me perguntei se deveria avisar as outras duas mulheres. Recorri aos nove meses de registros do celular de Philippe que eu tinha, na tentativa de encontrá-las novamente. Liguei para todos os números e sempre que uma mulher atendia, eu perguntava: "Você está saindo com Philippe Padieu?" Quando respondiam "sim", eu completava: "Então, eu preciso dar uma palavrinha com você". Descobri outras nove mulheres que também saíam com ele. Algumas ficaram com raiva, outras desligaram na minha cara. Mas muitas se mostraram interessadas e até gratas pelo telefonema – recebi todos os tipos de respostas. Uma delas ficou tão revoltada que decidimos marcar um almoço com as demais para compartilhar nossas histórias. Tiramos uma foto juntas fazendo um gesto obsceno e enviamos para ele. Havia uma outra mulher que vim a conhecer depois. Nos encontramos em um pequeno bar de jazz. Ela estava saindo com Philippe três vezes por semana há um ano e meio. Ela não tinha um relacionamento "exclusivo" com ele, mas queria isso, eu acho. Contei a ela tudo o que havia acontecido comigo. E ela ouviu atentamente o que eu tinha a dizer. "Essa é uma decisão sua. Se você quiser continuar a sair com ele, o problema é seu", afirmei. E pensei que seria a última vez que conversaríamos. A revelação da doença Três meses depois, recebi uma ligação do departamento de saúde dizendo que eu precisava fazer um exame. Entrei em pânico porque estava tendo muitos problemas de saúde. Mantive o telefone do Philippe para o caso de alguma outra mulher ligar e eu ter a chance de alertá-la. Após ser contatada pelo departamento de saúde, notei que a última pessoa a telefonar para o número dele tinha sido a mulher que eu conheci no bar de jazz. Retornei contando que tinha acabado de receber uma ligação do departamento de saúde. E perguntei: "O que você tem a me dizer sobre isso?" "Precisamos conversar", ela respondeu. Nunca vou esquecer essas palavras. Ela continuou a sair com Philippe depois que nos encontramos, mas acabou decidindo terminar. Preocupada com possíveis doenças sexualmente transmissíveis, ela fez o teste e descobriu que era portadora de HIV. Naquele momento, todos os problemas de saúde e a falta de energia que eu tinha sentido nos últimos seis meses - sintomas que eu atribuía à idade - ganharam um novo sentido e me dei conta do que estava de fato enfrentando. No dia seguinte, eu tinha uma consulta com o ginecologista. Fiz um exame de sangue e, um dia depois, me ligaram para dar o resultado: "Diane, me desculpe. É positivo." Deixei o telefone cair e desabei. Pensei que ia morrer. Eu não tinha muita informação sobre o HIV – me lembrava da época em que não havia tratamento e sabia que eles existiam agora, mas não sabia o quão eficazes eram. Sabia que estava realmente muito doente. Isso foi em janeiro de 2007. Quando fiz mais testes, descobri que tinha aids. Isso significa que o sistema imunológico está comprometido ao ponto de te deixar muito vulnerável a doenças. Seu corpo não vai lutar porque o vírus danificou as células que combatem a infecção. Eu tinha seguro de saúde porque era autônoma - e havia mudado de plano cerca de dois meses antes de receber o diagnóstico. Havia um aviso no fim do contrato – "por favor, esteja ciente de que não cobrimos HIV" -, que eu assinei com alegria, porque sabia que não tinha HIV. Mas dois meses depois, descobri que estava errada. Ou seja, eu tinha um seguro de saúde que não pagava tratamento de HIV e o remédio custava cerca de US$ 2 mil por mês – valor que eu não podia pagar. Início da reação jurídica Assim que peguei o resultado dos exames, busquei aconselhamento. Eu realmente precisava de ajuda para processar as informações. Estava terrivelmente deprimida, com muito medo e morta de raiva. Decidi falar novamente com a mulher que conheci no bar de jazz. Choramos e nos revoltamos juntas. Quando ela recebeu o diagnóstico, ligou imediatamente para Philippe para avisá-lo. Ele disse: "Não é nada demais, todo mundo morre de alguma coisa. Por que você simplesmente não vai viver sua vida e me deixa em paz?" Foi uma reação muito estranha para alguém que deveria ter ficado chocado. Suspeitamos que Philippe tinha transmitido o vírus para nós duas e decidimos fazer algo a respeito. Após algumas pesquisas, resolvemos apresentar uma queixa à polícia. Queríamos que a polícia o detivesse. Queríamos descobrir se ele realmente carregava o vírus e se havia algo que poderíamos fazer para evitar a contaminação de outras mulheres. Os policiais foram muito simpáticos e compreensivos, mas disseram que, como havia apenas duas de nós, não conseguiriam provar isso. Mas se quatro ou cinco mulheres se apresentassem, disseram, eles poderiam conseguir que o promotor público desse uma olhada no caso. Voltamos aos registros de ligação do celular dele. Liguei primeiro para a mulher que morava no bairro de Philippe, que eu conhecera antes. Ela também fez o teste e foi diagnosticada com HIV. Ela nos ajudou vigiando a casa dele e anotando os números das placas dos carros que estacionavam na garagem durante a noite. Tivemos muito trabalho porque todo dia ele recebia uma mulher diferente, era incrível. Eu tinha um amigo que tinha acesso ao nome e ao endereço dos donos de veículos. Assim que a gente conseguiu os dados, fomos até a casa delas. Ao todo, identificamos 13 mulheres que foram diagnosticadas com HIV. Começamos a tentar provar que Philippe sabia que tinha HIV. Havia uma senhora no departamento de saúde que estava nos ajudando a rastrear as mulheres. Perguntei a ela: "Você já viu esse cara"? Mas ele não parecia familiar a ela. Me lembrei que Philippe às vezes usava um pseudônimo, Phil White, e ela se recordou. Ela teria visto ele na mesma época em que recomendei a ele procurar um médico devido a uma suspeita de pedras nos rins. Eu pensei: "Será que foi quando ele recebeu o diagnóstico?" Isso tinha acontecido em 2005, cerca de um ano e meio antes de nos separarmos. Ele foi ao médico e fez alguns exames. Como eu paguei pelo tratamento dele, peguei os recibos e levei para a promotora – foi a primeira vez que a vi sorrir. Os documentos deram a ela uma "justificativa plausível" para requisitar os registros médicos dele – o que ela fez. Sem isso, teria sido muito difícil, se não impossível, obtê-los, devido às leis de proteção à privacidade. E foi assim que provamos que ele tinha sido diagnosticado com HIV. Julgamento Das 13 mulheres que descobrimos terem sido diagnosticadas com HIV, apenas cinco concordaram em testemunhar perante o tribunal, devido ao estigma associado ao vírus. Formamos um grupo de apoio e nos reuníamos na minha casa com frequência. Passamos por tudo isso juntas. Um dos motivos para levar o processo adiante era que o Estado do Texas pagaria pelos cuidados médicos que são necessários como resultado de um crime, e eles estavam processando Philippe por "agressão com arma letal". Foi um processo longo, passamos de cinco a seis meses rastreando essas mulheres. Quase todos os dias da semana estávamos em vigília. Era exaustivo - e eu ainda tinha aids -, mas estávamos determinadas a impedi-lo de fazer outras vítimas. O julgamento começou em 2009, três anos depois do término do nosso relacionamento e dois anos após eu receber o diagnóstico. A promotora havia alertado que seríamos atacadas, que qualquer informação que Philippe tivesse a nosso respeito, poderia ser jogada no ventilador, em público. Embora eu estivesse preparada para isso, não imaginava que seria tão cruel - testemunhei por cerca de uma hora, mas sobrevivi. Após a sentença, reunimos todos os amigos e familiares para comemorar, pois sabíamos que ele não seria capaz de ferir outras pessoas novamente. Philippe nunca assumiu a responsabilidade. Ele disse que fui eu quem transmitiu HIV para todo mundo, o que obviamente era absurdo – encontramos uma mulher em Michigan que ele havia contaminado em 1997. E também fizemos um estudo de DNA comprovando cientificamente que mostrou que o vírus que estava em cada uma de nós tinha uma origem comum: Philippe. Suspeito que ele tenha transmitido HIV conscientemente por anos antes de conhecê-lo, e que o diagnóstico de 2005 não tenha sido o primeiro. Tenho lutado para perdoá-lo, mas estou em paz porque, honestamente, fiz de um limão uma limonada. Mas um dos meus maiores ressentimentos é que ele destruiu minha capacidade de confiar nas pessoas e isso deixa os relacionamentos realmente complicados. Estou tentando superar, mas tem sido uma longa batalha. Tenho muita sorte de estar agora com alguém que me entende, me ama e me aceita. Começamos a sair em 2008 e eu abri o jogo logo no segundo encontro. Comecei a chorar, ele me segurou e disse: "Tudo bem, meu irmão morreu de Aids." E isso me reconfortou. O tratamento avançou tanto que atualmente se limita a um comprimido por dia para a maioria dos pacientes – tomo um comprimido por dia há muito tempo. Eu tenho carga viral indetectável, o que significa que o vírus não é identificado no meu sangue. Foi demonstrado que, se você está vivendo com HIV e tem uma carga viral indetectável de forma constante ao longo de seis meses, o risco de transmissão é zero – isso foi um divisor de águas para todos nós. Ainda tenho contato com algumas das mulheres. Fui ao Grand Canyon de férias com uma delas no ano passado – a mulher do bar de jazz. Se eu não tivesse entrado em contato, ela nunca teria pensado em fazer o teste de HIV. E se ela não tivesse dado meu nome ao departamento de saúde, eu nunca teria feito o exame. Nós realmente salvamos a vida uma da outra. Philippe Padieu foi condenado por seis acusações de agressão grave com arma letal – seu fluido corporal – e sentenciado a 45 anos de prisão.
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