Ciência e Saúde
Hannah Powell perdeu a visão e os rins depois de tomar uma bebida misturada a uma substância perigosa durante férias em uma ilha grega. Hannah Powell perdeu a visão e os rins depois de tomar uma bebida misturada a uma substância perigosa BBC Hannah Powell estava se sentindo exausta e não parava de vomitar após uma noite de balada com amigos em Zakynthos, na Grécia, em agosto de 2016. Mas não eram apenas sinais de uma ressaca. A jovem de 23 anos tinha bebido vodca misturada com metanol, também conhecido como álcool metílico. Ela diz que não sabia que a substância perigosa havia sido misturada à bebida. Os rins de Hannah entraram em colapso e ela ficou cega. Só percebeu que havia algo errado quando acordou no seu quarto de hotel achando que as luzes estavam apagadas. "Eu sugeri que abríssemos a cortina e meus amigos disseram que elas já estavam abertas, mas eu não percebi na hora o que estava acontecendo", disse a jovem à BBC. Hannah conta que ela e as amigas estão animadas com as férias na Grécia. Nunca imaginavam que estavam tomando vodca com uma substância perigosa Hannah Powell "Eu pensei que eles estivessem brincando, então levantei para acender as luzes. Foi aí que eu comecei a entrar em pânico, porque foi quando percebi que as luzes estavam acesas e que eu não conseguia enxergar nada." Hannah, da cidade britânica de Middlesbrough, foi levada ao hospital da ilha de Zakynthos antes de ser transferida para uma ilha maior da Grécia. Ela estava tão confusa e delirante que pensou estar sendo sequestrada. "Eu não entendia porque não conseguia enxergar. Eu pensei que fosse alguma coisa (tampando) meu olho ou na minha cabeça. Lembrava remotamente de falar com meu pai ao telefone", conta. Hannah precisou ser transferida para um hospital mais equipado, numa ilha maior da Grécia, por causa da complexidade e gravidade da situação Hannah Powell "Eu me lembro de esconder meu telefone nas axilas, pensando que fossem tirá-lo de mim." Exames feitos no hospital confirmaram que Hannah havia ingerido metanol. Haviam servido a ela, num bar, vodca falsificada, misturada à substância tóxica. Os amigos, que tinham bebido a mesma coisa, chegaram a passar mal e sentir dores no estômago, mas os sintomas passaram. "Aparentemente, gangues fazem as vodcas clandestinamente e vendem aos bares por preços mais baratos. E os bares abastecem seu estoque com essas bebidas", explica Hannah. "Então, se você é um consumidor, acha que está comprando vodca Smirnoff, mas não é. Eles colocam os líquidos em garrafas verdadeiras de Smirnoff." Hannah passou três semanas num hospital da Grécia antes de retornar ao Reino Unido Hannah Powell Hannah voltou para casa semanas depois e teve que se ajustar à nova vida, sem visão. Os rins também pararam de funcionar e ela teve que passar 18 meses fazendo hemodiálise, até receber um órgão doado pela mãe. Hannah conta que, no início, via tudo "completamente preto". Depois de um tempo, passou a enxergar tudo "muito embaçado". A jovem diz que se esforça para fazer as coisas sozinha e que espera receber um cão-guia para ganhar maior independência. "Eu costumava acordar tendo esquecido que tinha perdido a visão. Ia me arrumar e percebia que não conseguia achar minha maquiagem, meu alisador de cabelos. Eu abria uma paleta de sombras de olho e o conteúdo parecia todo preto, sendo que estava cheio de sombras de cores diferentes", diz. Até ações trivais – como fazer uma xícara de chá - ganharam novos contornos, e ela diz constantemente tropeçar em degraus e ter dificuldades em encontrar coisas. Hannah diz que seus amigos e familiares a ajudaram muito nos últimos três anos Hannah Powell Passaram-se três anos desde as férias na ilha grega que mudaram a vida de Hannah. Até agora, ninguém foi responsabilizado pelo que ocorreu. A jovem diz que álcool falsificado possivelmente ainda é amplamente vendido em locais turísticos, como Zakynthos. "Eu já não esperava que fossem punidos, mas acho que alguém deveria. Ou o bar sabia que tinha álcool manipulado ou alguém fez essa mistura. De qualquer forma, eu não tive nada a ver com isso. Eu nunca teria bebido se soubesse." Hannah afirma que está determinada a viver uma vida normal desde que perdeu a visão. Ela vai à academia e ao cinema. Faz compras e celebra o aniversário dos amigos como fazia antes. A ONG RNIB, dedicada a pessoas com deficiência visual, ajudou Hannah a voltar a trabalhar. Ela utiliza um equipamento especial para atuar com recepcionista de uma clínica médica. A mãe de Hannah, Christine, doou um de seus rins à filha Hannah Powell "Minha irmã foi maravilhosa. Ela me ajudou a voltar a usar minha maquiagem. E tivemos que ordenar as minhas roupas por cores, porque eu não conseguia identificar de que cor eram", conta. "Eu continuo saindo com meus amigos, principalmente para tomar chá ou ir ao cinema. Gostava de ir ao cinema para ficar sentada lá, parada, e observar se conseguia enxergar um pouco mais. E mesmo se não conseguisse, dava para entender o filme ouvindo e era bom simplesmente sair de casa." Hannah diz que sempre escolhe algo para focar e a ajudar a manter a postura positiva. Neste ano, está planejando se mudar para uma casa nova. Ela também quer retornar a Zakynthos um dia, porque não consegue se lembrar bem do tempo que passou lá. Espera recobrar essa memória ao voltar à ilha grega. "A última coisa que eu quero é ter medo de fazer tudo. Minha mãe se preocupa quando digo que vou para a academia. Até hoje ela pergunta: 'Como você vai chegar lá? Você consegue enxergar os carros?" "Eu não consigo ver todos os carros, mas a alternativa seria ficar em casa. Eu sou jovem e não quero me acostumar a ficar em casa por medo de sair. Eu ainda tropeço e hesito. Mas isso não me incomoda mais."
Nosso cérebro tem diferentes níveis de resposta ao longo do dia. Por isso, deveríamos planejar tarefas mais complicadas para quando ele está mais ativo. Resposta cerebral varia ao longo do dia e atividades deveriam ser planejadas de acordo PIxabay Nossos cérebros não são máquinas que funcionam perfeitamente. Nossas respostas físicas aos eventos do dia a dia não são sempre consistentes. Intuitivamente, você provavelmente percebe que perde a concentração depois de comer. Mas nossas respostas neurológicas flutuam muito mais do que apenas após o almoço. Como podemos saber se a resposta do cérebro está mudando ao longo do dia de trabalho? E se soubéssemos quando ele atinge o pico de desempenho, planejaríamos o dia de forma diferente? Ao prestar atenção às diferenças neurológicas, é possível "enganar" seu cérebro para trabalhar melhor? Programe o estresse para a manhã Ser uma pessoa diurna ou noturna depende de muitos fatores: idade, sexo, questões sociais e ambientais. Evidências indicam que se você não é um tipo diurno, é melhor não forçar a se tornar um. Apesar da pregação de executivos bem-sucedidos e de algumas celebridades que seguem rígidas rotinas de malhação, mudar seu padrão de sono não resulta, necessariamente, em melhor desempenho se esse não for seu ritmo natural. A sonolência, o estado de alerta, a memória de curto prazo e até mesmo o desempenho no exercício físico estão todos ligados ao ritmo da temperatura corporal Unsplash No entanto, a manhã ainda é uma parte muito importante do dia. Um estudo com profissionais japoneses descobriu que respondemos melhor a eventos estressantes nesse período. Os trabalhadores foram submetidos a um teste de estresse duas ou 10 horas depois de acordar. Dessa forma, os pesquisadores analisaram a resposta a tarefas estressantes no início e no final da jornada de trabalho. O estudo constatou que os níveis de cortisol dos trabalhadores aumentaram significativamente após o teste inicial, mas não após o último. "O cortisol desempenha um papel importante na proteção do corpo", diz Yujiro Yamanaka, professor da Universidade de Hokkaido, no Japão. "O cortisol é o principal hormônio envolvido na resposta de 'lute ou fuja'." Sem a liberação de cortisol, partes importantes da resposta neural não acontecem. Por exemplo, o cortisol regula a pressão sanguínea e aumenta os níveis de açúcar no sangue. Isso garante que, quando você está estressado, não fique em pânico, mas que mantenha sua presença de espírito e tenha energia para fazer algo a respeito. O hormônio também restaura o equilíbrio após um evento estressante, o que significa que você conseguirá se acalmar novamente depois de uma manhã de alta pressão. Se o episódio ocorresse à noite, você continuaria se preocupando com ele. Passar continuamente por situações estressantes no final do dia pode resultar em problemas de saúde de longo prazo, como obesidade, diabetes tipo 2 e até depressão, alerta Yamanaka. "O melhor seria evitar eventos estressantes à noite se você puder." Encontre o seu pico da tarde Os níveis de cortisol podem ser mais altos no período da manhã para nos ajudar a lidar com o fato de acordar cedo. "Nem todas as pessoas são mais eficazes de manhã", diz Cristina Escribano Barreno, psicóloga da Universidade Complutense de Madri. "Provérbios como 'Deus ajuda quem cedo madruga' reforçam que nossas vidas profissionais ocorrem de manhã, então as pessoas que preferem a manhã têm uma vantagem." Nossos corpos nos preparam para as tensões do dia logo depois de acordar - por isso, é melhor aproveitar ao máximo enquanto você tem essa vantagem química. No entanto, para algumas tarefas, nossos corpos demoram para acelerar. O desempenho em tarefas simples, como fazer contas de cabeça, está relacionado à temperatura corporal - quanto mais elevada, melhor. Geralmente, nossos corpos estão mais quentes no início da noite - então, seria melhor adiar as tarefas mentais simples para este momento do dia. Esse ritmo diário é controlado pelo nosso relógio circadiano, o que significa que nossa preferência por levantar cedo ou tarde tem um leve efeito sobre esse padrão. "Em pessoas diurnas, esse pico aparece um pouco mais cedo e, para as noturnas, um pouco mais tarde", diz Konrad Jankowski, psicólogo da Universidade de Varsóvia, na Polônia. "Mas geralmente essa diferença de horário não é enorme - no máximo de algumas horas." Situações estressantes de trabalho devem ser priorizadas no início do dia, para dar chance de a pessoa voltar ao trabalho depois Pixabay O aumento da temperatura corporal - que ocorre naturalmente durante o dia - também aumenta a atividade metabólica no córtex cerebral, acelerando os processos cognitivos. "Alguns estudos mostraram que a temperatura cerebral mais alta está relacionada à transmissão sináptica mais rápida", diz Jankowski. "Aumentos artificiais na temperatura do corpo também podem aumentar o desempenho, mas apenas até níveis ligeiramente superiores a 37 graus centígrados. Um cérebro em ebulição não funciona bem." Sonolência, estado de alerta, memória de curto prazo e até desempenho no exercício físico estão todos ligados ao ritmo da temperatura corporal, diz Jankowski. Mas isso não significa, necessariamente, que a temperatura afete diretamente todos esses processos. "É mais o relógio circadiano que afeta a temperatura e outras funções. Então, com base em nosso perfil de temperatura, podemos prever nosso desempenho", explica o pesquisador. "Por exemplo, temos um risco maior de acidentes no início da manhã porque a temperatura do corpo está mais baixa, o que se traduz em níveis de sonolência mais altos e estado de alerta mais baixo." Respeite seu ciclo de sono Para tarefas mais complexas, no entanto, a melhor hora do dia depende de você ser uma pessoa diurna ou noturna. O mais importante é isolar-se das distrações - e é melhor fazer isso de acordo com seu ciclo de sono. "Pessoas que precisam realizar tarefas muito complexas, que exigem distanciamento de distrações, geralmente escolhem horas extremas, quando o resto do mundo está dormindo", acrescenta Jankowski. "Para as pessoas diurnas, isso seria de manhã cedo antes que os outros estejam acordados. Para as noturnas, o momento em que os outros já foram dormir." Podemos dizer que situações de trabalho estressantes, como fazer apresentações ou lidar com conflitos, devem ser priorizadas para o início do dia, o que permite voltar a níveis normais de estresse e ao trabalho depois. E isso lhe garante tempo para se concentrar em tarefas mais solitárias que exigem foco mental no final do dia. Mas permita-se um pouco de flexibilidade se você souber que é uma pessoa diurna ou noturna. Às vezes, a melhor maneira de preparar o cérebro para o dia de trabalho pode ser no conforto da sua própria cama.
Temos trilhões de micro-organismos em nosso trato gastrointestinal e apenas de 10% a 20% deles são iguais aos de outros indivíduos; e esse 'mundo' influencia saúde, apetite, peso e humor. O microbioma do intestino influencia vários aspectos de nossa saúde Divulgação Há trilhões de micro-organismos, incluindo bactérias, fungos e vírus, no interior de seu trato gastrointestinal. Você tem em seu corpo aproximadamente o mesmo número de microrganismos, principalmente no intestino grosso, quanto de células. Mas apenas de 10% a 20% das bactérias do intestino são iguais às de outros indivíduos. Os microbiomas diferem imensamente de pessoa para pessoa, dependendo de dieta, estilo de vida e outros fatores. E eles influenciam tudo: saúde, apetite, peso e humor. Mas, embora seja uma das partes mais pesquisadas do corpo, ainda há um longo caminho a ser percorrido para se entender o intestino. A BBC Future revisou as descobertas científicas até agora. Dieta saudável A dieta tem uma enorme influência sobre o microbioma intestinal. Pesquisas mostram relações entre a dieta ocidental, tipicamente rica em gordura animal e proteína e pobre em fibras, com o aumento da produção de compostos causadores de câncer e inflamação. A dieta mediterrânea, por outro lado, que é tipicamente rica em fibras e com pouca carne vermelha, foi ligada ao aumento dos níveis de ácidos graxos fecais de cadeia curta, que tem efeitos anti-inflamatórios e melhoram o sistema imunológico. Cientistas esperam que pesquisas populacionais tragam mais avanços nessa área. Um dos projetos em andamento, o Estudo Americano do Intestino, vem coletando dados e comparando os microbiomas intestinais de milhares de pessoas dos EUA. Até agora, a pesquisa sugere que aqueles cujas dietas incluem mais alimentos à base de plantas têm um microbioma mais diversificado, diz Daniel McDonald, diretor-científico do projeto. "Não podemos ainda garantir que é o lado saudável ou não, mas suspeitamos que aqueles com uma dieta rica em frutas e vegetais têm microbiomas muito saudáveis", afirma. Mas ainda não está claro, acrescenta McDonald, se um indivíduo que mudar radicalmente sua dieta à base de plantas para uma pobre em alimentos saudáveis sentirá o impacto em seu microbioma. Probióticos Nos últimos anos criou-se um hype em torno dos benefícios dos prebióticos e probióticos para a saúde. Mas embora sejam cada vez mais usados em tratamentos, incluindo de doenças inflamatórias intestinais, como a doença de Crohn e colite ulcerativa, várias revisões científicas apontam para a necessidade de mais pesquisas sobre as cepas e dosagens mais eficazes. Em um estudo relativamente pequeno, Eran Elinav, imunologista do Instituto de Ciência Weizmann, em Israel, descobriu recentemente que algumas pessoas são imunes aos probióticos. Ele deu a 25 indivíduos saudáveis 11 cepas de probióticos ou placebos e testou seus microbiomas e sua função intestinal a partir de colonoscopias e endoscopias - antes da e três semanas após a intervenção. "Há dois grupos de pessoas: aquela cujo microbioma recebeu bem os probióticos, que colonizaram o trato gastrointestinal e, por sua vez, alteraram o microbioma; e aquela cujo microbioma foi resistente aos organismos. Nesse último grupo, os probióticos não conseguiram se estabelecer, e, por isso, não tiveram qualquer efeito", explicou. Os pesquisadores conseguiram prever em qual categoria uma pessoa se encaixaria ao examinar características de seu microbioma. A descoberta sugere, diz Elinav, que os probióticos precisam ser mais adaptados às necessidades de cada indivíduo. Saúde geral A microbiota intestinal tem um papel importante na saúde e no funcionamento do trato gastrointestinal. Há evidências de que condições como a síndrome do intestino irritável (SII) frequentemente tem relação com uma microbiota alterada. Na realidade, ela tem um papel até mais amplo na saúde, e isso é determinado em grande parte nos primeiros anos de vida. O microbioma começa a se desenvolver assim que nascemos, quando os micróbios colonizam o intestino humano. Bebês nascidos de parto normal têm mais bactérias no intestino do que os nascidos por cesariana por causa de seu contato com as bactérias intestinais e vaginais da mãe, explica Lindsay Hall, coordenadora da pesquisa de microbiomas no Instituto de Biociência Quadram. "Crianças nascidas de cesárea perdem a inoculação inicial, e alguns dos micróbios com os quais entram em contato serão da pele e do ambiente", diz Hall. "Isso é muito importante para as crianças desenvolverem seus sistemas imunológicos. Um trabalho recente sugeriu que os distúrbios no microbioma intestinal na primeira infância têm consequências negativas para a saúde do hospedeiro", diz ela. "Vários estudos mostram que as cesáreas afetam a saúde em longo prazo, e há fortes evidências de que isto aumenta o risco de desenvolver alergias e ecossistemas menos robustos, o que significa que você fica mais suscetível a mudanças e distúrbios, como antibióticos. "No entanto, não há evidências robustas do que essas diferenças significam especificamente para o sistema imunológico", afirma. Há também diferenças nos microbiomas de bebês amamentados e alimentados com fórmula. As bifidobacterium, grupo de bactérias associadas à saúde, são frequentemente encontradas no estômago de bebês amamentados. "Sabemos que as bifidobacterium podem digerir os componentes do leite materno. Eles não são normalmente encontrados na fórmula láctea, e é por isso que os bebês alimentados com fórmula têm menos dessas bactérias", diz Hall. Cientistas estão perto de entender como o intestino pode ser usado para tratar doenças. Um dos mais novos tratamentos na área é o transplante de microbiota fecal, no qual a microbiota de uma pessoa saudável é colocado no intestino de um paciente. O procedimento serve para tratar bactérias intestinais resistentes aos antibióticos, que podem infectar o intestino e causar diarreia. Embora não haja evidências conclusivas sobre o mecanismo subjacente, sabe-se que o transplante atua repovoando o microbioma com bactérias que contribuem com a tarefa. A grande questão em torno desses transplantes é definir o que é um microbioma intestinal normal. "Não estabelecemos o que é normal, mas o que é normal para cada indivíduo. Isso depende de etnia, ambiente e outras coisas pelas quais o corpo passou", diz Fiona Pereira, chefe de desenvolvimento de negócios e estratégia do departamento de cirurgia e câncer no Imperial College London, que supervisiona a pesquisa sobre a relação entre o microbioma e a dieta. Pereira diz que, se os cientistas puderem ter uma compreensão clara do que é saudável em diferentes grupos étnicos e etários, eles podem ver como o intestino de uma pessoa varia e com o que isso está relacionado - pode ser dieta, ambiente ou predisposições genéticas para certas doenças. Antibióticos Já está bem estabelecido que os antibióticos podem alterar drasticamente a microbiota intestinal. O intestino é um ambiente onde bactérias inofensivas e benéficas estão em contato muito próximo com agentes patogênicos oportunistas que causam infecções, diz Willem van Schaik, professor da Universidade de Birmingham e pesquisador principal de um novo estudo que identifica mais de seis mil novos genes de resistência a antibióticos em patógenos. Ele descobriu que a maioria desses patógenos (agentes causadores de infecções) não estavam associados a DNA que pode ser transferido entre bactérias, o que significa que não há um risco imediato de que esses genes se espalhem de bactérias normais para patógenos. Mas, muitos desses genes que são fixos em ambientes bacterianos específicos podem começar a se espalhar pelo uso excessivo de antibióticos. "Nossas descobertas destacam quantos genes resistentes estão no microbioma e poderiam ser mobilizados a se tornarem patógenos oportunistas. Elas (as descobertas) deveriam ser vistas como um alerta de que há um grande reservatório desses genes que não queremos começar a mobilizar", disse van Schaik. O cérebro O cérebro e o intestino têm um forte sistema de comunicação chamado eixo intestino-cérebro. Um órgão é essencial ao outro - estudos mostram que, sem o microbioma intestinal, o desenvolvimento do cérebro é anormal. Mas, como mostrou uma análise de 2015 do Journal of Psychiatric Research, não se sabe qual bactéria intestinal é crucial no desenvolvimento cerebral. Uma nova pesquisa vem estudando como o intestino se interliga ao cérebro, em casos como humor e saúde mental, explica Katerina Johnson, pesquisadora do eixo microbioma-intestino-cérebro da Universidade de Oxford. "Pesquisas mostram que, se pegarmos bactérias intestinais de seres humanos com depressão e colonizarmos o intestino de camundongos, os animais terão mudanças fisiológicas e de comportamento características da depressão", exemplifica. Microrganismos do intestino produzem a maioria dos neurotransmissores encontrada no cérebro humano, incluindo a serotonina, que desempenha um papel fundamental na regulação do humor. Cientistas esperam em breve conseguir entender como eles podem produzir neurotransmissores para tratar distúrbios psiquiátricos e neurológicos, como a doença de Parkinson e a esclerose múltipla. Influência no comportamento Começamos também a compreender como os micróbios intestinais influenciam o comportamento. Alguns estudos, em grande parte conduzidos em animais, sugerem que determinados tipos interferem na química cerebral e no comportamento social dos animais. Por outro lado, animais livres de germes, sem exposição a micróbios, mostraram deficits no comportamento social, e os pesquisadores descobriram que isso pode ser restaurado pela adição de tipos específicos de bactérias, como o lactobacillus, freqüentemente encontrado no iogurte. Um artigo recente intitulado Por que o microbioma afeta o comportamento? examinou a teoria de que o microbioma intestinal manipula seu hospedeiro em benefício próprio, como parasitas, para torná-lo mais sociável e, assim, facilitando sua transmissão entre indivíduos. Mas o texto argumenta que a teoria é improvável e que mudanças comportamentais provavelmente são resultado de processos que levam os microrganismos a crescer e competir no intestino, como a fermentação. "O microbioma intestinal é tão diverso que, mesmo que houvesse um tipo de bactéria produzindo substâncias químicas para manipular nosso comportamento, essa bactéria seria rapidamente superada por outras bactérias que não gastam nenhuma energia extra para produzir o composto", diz Johnson, um dos autores do artigo. O futuro A ciência ainda não definiu como seria um microbioma saudável, e uma conclusão parece ainda distante. Mas há um consenso crescente de que fatores ambientais, como dieta e antibióticos, afetam mais o nosso microbioma do que nossos genes, e que um microbioma mais diverso é melhor para nós. "Embora possamos mudar o nosso microbioma com a nossa dieta, eles parecem ter um ponto de referência para o qual costumam retornar após uma turbulência", diz Johnson. "Mas uma coisa que podemos fazer é comer mais fibras como forma de aumentar a diversidade do intestino, o que é freqüentemente associado a boa saúde." Embora tenha havido muitos avanços na pesquisa de microbiomas nos últimos anos, também permanecem alguns desafios. Um deles é a dependência de um método chamado seqüenciamento 16S rRNA, explica McDonald. Ele analisa uma região específica de um único gene que existe em todas as bactérias. O E. coli é um exemplo que mostra por que esse método é amplo demais, diz McDonald. "Embora existam E.coli patogênicas, há também E.coli que desempenham um papel neutro ou benéfico no intestino, o que seria indistinguível com o método que usamos hoje. Um aumento no nível de E.coli não significa que isto é ruim para você". O conselho de McDonald é que devemos ser cautelosos. "Há muitas coisas interessantes que a pesquisa em microbiomas trará, e há avanços em andamento, mas há pesquisas que fazemos com ratos que ainda não podem ser aplicadas em humanos porque não são seguras." Enquanto isto, o máximo que cientistas podem aconselhar é ingerir vegetais. Leia a versão original desta reportagem (em inglês) no site BBC Future.
Lançada nesta quarta-feira (20), HQ ilustra resultados de um experimento da Universidade Federal de Goiás realizado em 2016; leia a íntegra. O biólogo Luciano Queiroz transformou um artigo científico em uma história em quadrinhos Arquivo pessoal/Luciano Queiroz Você se lembra de como aprendeu sobre o ciclo de vida dos insetos na disciplina de biologia? Nesta quarta-feira (20), um biólogo e um quadrinista lançam uma explicação sobre o tema que, ao mesmo tempo, é científica e escapa do estilo de ensino tradicional. Batizada de "Ciclos", a "aula" é toda feita em quadrinhos, que ilustram e recontam os resultados de um experimento científico realizado no interior de Goiás. Produzida em um processo de trabalho que levou seis meses, a história em quadrinhos resume em seis páginas o artigo (leia a íntegra do material abaixo). "Ciclos" - parte 1: história em quadrinhos ilustra e reconta os resultados de artigo científico sobre o ciclo de vida dos insetos Divulgação/Luciano Queiroz e Marco Merlin Essa não é a primeira parceria entre o biólogo Luciano Queiroz e o quadrinista Marco Merlin. Eles já produzem, desde 2016, o "Cientirinhas", uma parceria entre o podcast Dragões na Garagem e o Quadrinhorama, projeto pessoal de Merlin. Nas mais de 130 tirinhas já publicadas, conceitos científicos são divulgados de forma curta e bem humorada. Mas a divulgação de um artigo científico nesse formato é inédita para os dois. "Essa foi a primeira vez que transformamos um artigo científico em quadrinho. Minha ideia é experimentar um novo formato para se fazer divulgação científica. O quadrinho é um artigo científico, mas esperamos que as pessoas se entretenham enquanto o leem", explicou Queiroz ao G1. "Ciclos" - parte 2: história em quadrinhos ilustra e reconta os resultados de artigo científico sobre o ciclo de vida dos insetos Divulgação/Luciano Queiroz e Marco Merlin Experimento que virou artigo científico O biólogo, que fez a graduação na Universidade Federal de Goiás (UFG) e hoje é doutorando em microbiologia pela Universidade de São Paulo (USP), era estudante de iniciação científica quando integrou um grupo de pesquisa que foi a campo com um projeto para estudar a ecologia dos insetos. Durante cinco semanas, os pesquisadores coletaram informações sobre como os insetos se reproduzem e iniciam um novo ciclo de vida no Cerrado brasileiro, mais especificamente no município de Niquelândia (GO). O local escolhido por eles foram cinco riachos intermitentes, ou seja, que secam durante os períodos de estiagem e voltam a encher de água quando voltam as chuvas. A ideia era aproveitar o início da época de chuva para avaliar como cada espécie de inseto retornava ao riacho para um novo ciclo de procriação e colonização. Para isso, eles tiveram a ideia de montar "habitats artificiais" dentro de "bolsas" de nylon nos riachos. Cada bolsa continha um conjunto de seixos, que são pequenas rochas arrendondadas pelo fluxo da água. "Os insetos aquáticos podem viver embaixo ou na superfície dessas pedras, depende da espécie", explicou Queiroz ao G1. "Ciclos" - parte 3: história em quadrinhos ilustra e reconta os resultados de artigo científico sobre o ciclo de vida dos insetos Divulgação/Luciano Queiroz e Marco Merlin A cada semana, o grupo retirava as bolsas antigas e colocava novas no lugar. Durante cinco semanas, as bolsas retiradas eram analisadas para revelar detalhes sobre como é feita a colonização daqueles ambientes. Veja algumas das descobertas do estudo: Os primeiros insetos que aparecem nos riachos quando as chuvas recomeçam são as libélulas, as moscas e mosquitos e as efeméridas (nome popular do efemeróptero, um inseto aquático); Cada um deles se alimenta de uma forma diferente: enquanto as larvas dos mosquitos coletam plâncton e microorganismos da água, as ninfas de libélulas predam outros animais, e as ninfas dos efemerópteros se alimentam do musgo; "Ciclos" - para 4: história em quadrinhos ilustra e reconta os resultados de artigo científico sobre o ciclo de vida dos insetos Divulgação/Luciano Queiroz e Marco Merlin Já outros insetos só chegam ao riacho a partir da terceira semana após o início das chuvas. Entre eles estão os percevejos, os megalópteros e os tricópteros; Nessa época, as libélulas já deixaram o local, que é ocupado por outros insetos predadores, como os percevejos. Por outro lado, outras espécies que se alimentam do musgo na água permanecem ali; Quando os insetos já estão adultos, os insetos predadores deixam o riacho e migram para outros locais, dando continuidade ao processo que a ciência chama de "sucessão ecológica", quando existe um grande número de espécies no período inicial da colonização de um habitat, mas a população vai diminuindo com o passar do tempo. "Ciclos" - parte 5: história em quadrinhos ilustra e reconta os resultados de artigo científico sobre o ciclo de vida dos insetos Divulgação/Luciano Queiroz e Marco Merlin Artigo científico que virou história em quadrinhos Queiroz explica que o resultado do experimento foi publicado no artigo científico em 2016 e, no mesmo ano, surgiu a ideia de divulgá-lo em outro formato. "Os resultados que obtivemos demonstram de forma muito simples como ocorre a colonização de novos ambientes pelos insetos aquáticos", disse o biólogo. Ele diz que a ideia de usar o texto acompanhado de desenhos "facilita muito a compreensão do conceito de sucessão e também apresenta alguns insetos que não são tão conhecidos pela população". "Os artigos que escrevemos são histórias, contamos como surgiu a ideia, como fizemos para testá-la, os resultados que obtivemos e como isso influencia o conhecimento que já temos. Essa história é contada para um público restrito, o acadêmico. Temos conceitos, termos e nomenclaturas específicas. No caso da divulgação científica o público muda. Queremos alcançar pessoas que não são do meio acadêmico. Então, contamos a história de outra forma." Segundo o doutorando, existe a ideia de repetir a empreitada no futuro, mas ainda sem prazos definidos, já que o processo inclui muitas etapas, desde o roteiro, as cenas, a pesquisa de imagens e os diversos rascunhos, revisões e colorização. Mas a escolha do tema "Ciclos" veio da simplicidade com a qual seria possível explicar para um público mais amplo o processo de sucessão ecológica dos insetos. "Os ciclos de vida de plantas, animais e da natureza como um todo são muito poéticos e as pessoas tendem a fazer paralelos com suas próprias vidas. Esses paralelos criam laços entre o produto e o leitor." "Ciclos" - parte 6: história em quadrinhos ilustra e reconta os resultados de artigo científico sobre o ciclo de vida dos insetos Divulgação/Luciano Queiroz e Marco Merlin
Pesquisadores do Reino Unido realizam tratamento experimental para combater a degeneração macular relacionada à idade. Janet Osborne espera continuar praticando jardinagem se sua perda de visão for interrompida Fergus Walsh Uma mulher britânica se tornou a primeira pessoa no mundo a ser submetida a uma terapia genética que tenta deter a forma de cegueira mais comum no Ocidente. Os cirurgiões injetaram um gene sintético na parte de trás do olho de Janet Osborne em uma tentativa de impedir a morte de mais células. É o primeiro tratamento a atacar a causa genética subjacente da degeneração macular relacionada à idade (DMRI). "Tenho dificuldade de reconhecer rostos com meu olho esquerdo porque minha visão central está desfocada. Se esse tratamento for capaz de impedir que isso piore, vai ser incrível", diz Osborne à BBC. O tratamento foi realizado com anestesia local no mês passado, no Oxford Eye Hospital, na cidade homônima, no Reino Unido, pelo médico Robert MacLaren, professor de oftalmologia da Universidade de Oxford. "Um tratamento genético precoce para preservar a visão em pacientes que, sem intervenção, perderiam a visão seria um tremendo avanço na oftalmologia e certamente algo que espero para um futuro próximo", afirmou MacLaren. Osborne, de 80 anos, é a primeira de 10 pacientes com DMRI a participar de um tratamento experimental de terapia genética, desenvolvido pela Gyroscope Therapeutics, com financiamento da Syncona, fundo de investimentos da Wellcome Trust. O que é DMRI? A mácula é a parte da retina responsável pela visão central e de pequenos detalhes. Na degeneração macular relacionada à idade, as células da retina morrem e não são renovadas. O risco de desenvolver DMRI aumenta com o passar dos anos. A maioria dos pacientes, incluindo todos os participantes do tratamento experimental, apresenta o que é conhecido como DMRI seca, em que o declínio na visão é gradual e pode levar muitos anos. Já a DMRI úmida pode se instalar subitamente e levar à perda rápida da visão, mas pode ser tratada se for diagnosticada logo. O professor Robert MacLaren aplica a injeção de terapia genética no olho esquerdo de Janet Osborne Fergus Walsh Como a terapia genética funciona? À medida que algumas pessoas envelhecem, os genes responsáveis ​​pelas defesas naturais do olho começam a apresentar anomalias e a destruir as células da mácula, levando à perda da visão. Uma injeção é aplicada na parte de trás dos olhos, introduzindo um vírus inofensivo que contém um gene sintético. O vírus infecta as células da retina e libera o gene. Isso permite que o olho produza uma proteína destinada a impedir que as células morram e a manter, assim, a mácula saudável. Em estágio inicial, no Oxford Eye Hospital, o teste foi desenvolvido principalmente para verificar a segurança do procedimento e está sendo realizado em pacientes que já perderam uma parte da visão. Se o tratamento for bem sucedido, a meta seria tratar os pacientes antes que tenham perdido qualquer percentual da visão, em uma tentativa de deter a DMRI no início. Isso teria um impacto grande na qualidade de vida dos pacientes. Expectativa para os resultados É muito cedo para saber se a perda de visão no olho esquerdo de Osborne foi interrompida, mas todos que participam do teste terão a visão monitorada. "Ainda gosto de praticar jardinagem com meu marido, Nick, que cultiva muitas verduras e legumes", conta Osborne. "Se eu puder continuar descascando e cortando os legumes, mantendo meu atual nível de independência, sem dúvida vai ser maravilhoso." Já existe um tratamento de terapia genética bem-sucedido para outro distúrbio ocular raro. Em 2016, a mesma equipe de Oxford mostrou que uma única injeção poderia melhorar a visão de pacientes com coroideremia, que, do contrário, ficariam cegos. E, no ano passado, médicos do Moorfields Eye Hospital, em Londres, recuperaram a visão de dois pacientes com DMRI implantando um curativo de células-tronco sobre a área danificada no fundo do olho. A expectativa é que a terapia com células-tronco possa ajudar muitas pessoas que já perderam a visão. Mas o tratamento experimental de Oxford é diferente porque visa a combater a causa genética subjacente da DMRI e pode ser eficaz em deter a doença antes que as pessoas fiquem cegas.
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Atualmente é raro encontrar casais que preferem esperar o momento do parto para satisfazer a curiosidade quanto ao sexo do bebê. Cada vez mais, eles têm pressa em saber se o filho vai ser um menino ou uma menina, para o quanto antes lhe dar um nome, fazer planos, comprar o enxoval e até preparar e decorar o quarto tão sonhado.
TESTE DE PATERNIDADE - DNA
O Teste de paternidade ou DNA refere-se a investigação de parentesco entre pessoas...
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