Ciência e Saúde
Segundo estudo feito por cirurgiã na FOP, características encontradas na boca de crianças são semelhantes a dos pais que têm periodontite, problema que afeta tecidos da boca e que pode evoluir para queda dos dentes. Um estudo da Faculdade de Odontologia de Piracicaba (FOP), da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), alerta que a doença periodontal, que afeta a gengiva, pode ser passada de pai para filho. Segundo a pesquisa, a saúde bucal dessas crianças deve ter um acompanhamento mais rigoroso para evitar o desenvolvimento da enfermidade. Além disso, foi identificado que o uso de uma substância química específica pode favorecer no controle de algumas alterações bucais. A cirurgiã-dentista Mabelle de Freitas Monteiro, pesquisadora autora da tese de doutorado, explica que a doença periodontal, ou periodontite, consiste na inflamação das gengivas e de outros tecidos da boca em resposta ao acúmulo de placa bacteriana, sendo que em casos mais graves pode causar perda óssea e até mesmo a queda dos dentes. “Constatamos que crianças de 6 a 12 anos já têm alterações bucais, características essas muito parecidas com as dos pais que têm a periodontite”, diz a pesquisadora. Pesquisadora Mabelle de Freitas Monteiro e o professor Renato Corrêa Viana Casarin, da FOP/Unicamp Comunicação/FOP-Unicamp Entre as alterações clínicas percebidas que têm relação com as dos pais com a patologia estão mudanças precoces na saliva, aparecimento de placa bacteriana e respostas inflamatória nos tecidos da boca, o que sugere o início do desenvolvimento da periodontite ou indícios de que há riscos da doença se manifestar futuramente. Com essas constatações, a linha de pesquisa foi dividida em três fases: tentar identificar como esses aspectos identificados se desenvolvem na boca das crianças ao longo do tempo, se eles têm potencial para desenvolver a patologia, e como o Triclosan – substância presente em algumas pastas de dente – pode ajudar no controle da saúde bucal para evitar o surgimento da doença. “Precisamos entender o por quê a periodontite ocorre. Uma vez que identifico qual a causa, consigo trabalhar melhor nela”, ressalta Mabelle. Segundo a FOP, participaram do estudo 30 pais e 36 crianças divididos igualmente nos grupos de famílias com periodontia agressiva e saudáveis. Foram coletadas e congeladas amostras das placas bacterianas e dos fluidos da gengiva de cada participante, sendo os materiais enviados aos Estados Unidos para passarem pela avaliação microbiológica na The Ohio State University (OSU), que permitiu identificar mais de 400 tipos diferentes de bactérias. "Percebemos que o comportamento das características na boca de filhos do grupo de pais saudáveis foi diferente das do grupo de pais com a doença", complementa a cirurgiã-dentista. Pesquisa orienta que crianças com pais com periodontite visitem dentista com maior frequência Reprodução EPTV Cuidados devem começar logo na infância De acordo com a tese da Unicamp, a periodontite é uma das doenças que mais prejudicam a cavidade oral. Os casos agressivos representam em torno de 1% a 6% dos brasileiros, mas, devido à gravidade da enfermidade, o estudo alerta que os cuidados devem ser tomados desde cedo, mesmo que ainda não haja a confirmação de que os filhos de pais com periodontite têm maior probabilidade de desenvolver a patologia. Segundo a tese da Unicamp, o acompanhamento rotineiro da saúde bucal, como tratamento de cáries ou de dores de dente, e a correta escovação e higienização são importantes. No entanto, o controle da placa bacteriana não é o suficiente. Com isso, a orientação é que os dentistas devem ficar mais atentos com as mudanças identificadas na boca dessas crianças, principalmente quando há o histórico familiar da doença gengival. "Por causa da gravidade da doença, é preciso de um controle muito mais meticuloso, então se for percebido qualquer sangramento ou alteração na gengiva, é necessário investigar a fundo a causa disso. O ideal é um acompanhamento a cada 3 ou 6 meses", diz Mabelle. A explicação da tese para os cuidados não serem o suficiente é que a periodontite não está relacionada apenas a questões de higiene, já que pode haver também associação de fatores genéticos, além de que a aplicação das técnicas habituais de escovação não contribuíram tanto para controle das placa bacteriana acumulada. Periodontite atinge gengiva e outros tecidos da boca Reprodução/TV Globo Possíveis tratamentos e próximos passos Como o uso de cremes dentais habituais para o controle de placas não apresentou resultados desejados durante o estudo, a pesquisa passou a focar nos benefícios do Triclosan. De acordo com o projeto de doutorado, apesar da substância antibactericida não ter agido como o esperado no controle das bactérias, ela foi capaz de reduzir níveis de sangramento e controlar as características salivares. Agora, o objetivo do estudo é encontrar formas mais eficientes para a prevenção e tratamento precoce da doença periodontal. Futuramente, deve ser estudado o que bactérias identificadas na boca e a enfermidade podem causar no resto do organismo. FOP, em Piracicaba Cesar Maia-FOP Unicamp A pesquisa teve orientação do professor Renato Corrêa Viana Casarin, da área de periodontia da FOP, e coorientação da professora Purnima Kumar, da The Ohio State University (OSU) e reconhecida internacionalmente na avaliação de microbioma oral e periodontal. A tese vai competir internacionalmente no maior congresso de odontologia científica, da Associação Internacional de Pesquisa Odontológica (IADR). *Sob supervisão de Samantha Silva, do G1 Piracicaba e Região Veja mais notícias da região no G1 Piracicaba
Seguindo os traços que o tempo deixou nas rochas do Grand Canyon, voltamos ao tempo do supercontinente Pangeia e ao momento em que seus habitantes tiveram de encontrar uma maneira mais eficiente que a dos anfíbios para se reproduzir. As rochas do Gran Canyon permitem entender como ocorreu a evolução na Terra Sasha/Unsplash Em um lugar na Terra, há um portal do tempo que permite ver a história do nosso planeta. Sua conexão direta com um passado misterioso, cujos segredos são escritos na linguagem da geologia, revelam um mundo perdido há muito, muito tempo. A evidência que revela esse passado antigo está escondida em rochas, paisagens e até alguns animais, e fala de um momento decisivo da evolução da espécies e que transformou a história humana. Este lugar é o Grand Canyon, nos Estados Unidos. Suas rochas são o ponto de partida para entender a origem do sexo. Há 413 milhões de anos, o norte e o sul das Américas, separados por milhares de quilômetros de oceano, se movimentavam em direção um ao outro, em uma colisão lenta que levantou enormes montanhas ao longo da zona de impacto. Naquela época, todas as massas de terra do planeta se uniram e formaram um único supercontinente gigante, a Pangeia, com o que hoje são as Américas bem no centro. Ainda há vestígios desse mundo em lugares como Manhattan, onde rochas com cerca de 300 milhões de anos, conhecidas como xisto, podem ser encontradas até mesmo na superfície. Em certas partes do Central Park, em Nova York, o xisto chega à superfície Roberto Nickson/Unsplash A Pangeia teve uma enorme influência no moderno continente americano, determinando desde a distribuição dos recursos naturais até, em casos como o de Nova York, a forma das cidades. Mas o supercontinente acabou deixando marcas em todo o planeta, porque desempenhou um papel crítico em um dos desdobramentos evolutivos mais importantes da história da vida na Terra: o surgimento do ato sexual. Esse importante evento só pode ser entendido ao se viajar para os primeiros dias da Pangeia - e o próprio Grand Canyon pode nos conduzir a esse momento. Um passado escrito em pedra Sua paisagem condensa mais de 1,5 bilhão de ano - há rochas desde quando a única vida que existia era unicelular a formações com cerca de 500 milhões de anos, quando a vida tornou-se mais complexa. Um grupos de rochas conhecido como Formação de Supai data do período mais antigo da Pangeia, antes de estar completamente formada. Graças a ele sabemos que, no início, o supercontinente foi um lugar com bastante água. Fósseis nestas rochas revelam que o tipo de vida que existia naquela época era anfíbio. Hoje, anfíbios, como salamandras e sapos, são menos abundantes. Antes de a Pangeia se formar, eles dominaram a Terra - afinal, foram os primeiros a explorá-la. Para eles, a água foi e continua a ser imprescindível, particularmente para a reprodução e sua metamorfose, de modo que o ambiente "molhado" dos princípios da Pangeia era ideal para eles. Mas, então, o mundo mudou. A evidência está em algumas rochas amarelas chamadas de Formação de Coconino, que foi criada quando a América do Norte era parte do supercontinente e revela uma paisagem que mudou o curso da vida no planeta. A superfície destas pedras é lisa. Se você se aproxima com uma lupa, vê muitos grãos de areia em volta, quase todos mais ou menos do mesmo tamanho. Isso mostra que elas foram formadas pelo vento que leva os grãos mais finos de areia. Sabemos, por meio da Formação de Coconino, que o Grand Canyon tornou-se a fronteira ocidental de um deserto gigante há 250 milhões de anos que cobria quase tudo que hoje são as Américas, a África e a Europa. Este enorme deserto foi resultado direto da formação da Pangeia. A grande massa de terra fez com que a maioria do continente ficasse tão distante do mar que os ventos não conseguiam trazer chuva até seu centro. O fato de que grande parte da Terra se transformou em locais desertos deserto não foi uma boa notícia para os anfíbios. Sem água suficiente, eles eram como Adão e Eva antes de provar o fruto da árvore da sabedoria: não tinham chance de se reproduzir e, portanto, estariam condenados à extinção. Mas isso não significa que na região árida do Pangeia não havia vida: outros animais surgiram. A prova está nas mesmas rochas, onde seus rastros foram imortalizados e mostram que estas criaturas se movimentavam com base em suas patas e caudas. Eram os répteis. Tornozelos e o sexo A maioria dos répteis se adaptou bem à vida terrestre, graças à sua pele dura e escamosa, seus pulmões bem desenvolvidos, seu sistema circulatório de duplo circuito, um sistema excretor que conserva água, pernas fortes e a capacidade de controlar a temperatura do corpo mudando lugar. Mas isso não teria sido suficiente para evitar o destino dos anfíbios: para viver em ambientes superáridos, foi necessária uma inovação evolucionária essencial herdada por todos os répteis, aves e mamíferos. Então, há 250 milhões de anos, as Américas não estavam apenas no centro da Pangeia, mas de uma grande mudança evolutiva. Para entendê-la, é preciso observar um animal antigo com uma reputação temível: o jacaré. Seus ancestrais percorriam a América quando ela era parte de Pangeia. Sabemos que eram seus antepassados porque estes animais compartilhavam de uma adaptação verdadeiramente única: a articulação do tornozelo. Esta conexão anatômica com os antigos répteis lhes permite manter os pés quase verticalmente sob o corpo quando estão em terra, e o pé pode girar durante sua locomoção com um movimento de rotação do tornozelo. A forma como os antepassados do jacaré se moviam foi uma das razões pelas quais eles foram muito bem-sucedidos na Pangeia. Mas o maior avanço foi algo que os preparou para viver em um mundo desértico: o sexo. O coito do jacaré é muito semelhante ao dos humanos, ao menos no estilo de cópula. A chave é a fertilização interna: entregar o espermatozoide dentro da fêmea, diretamente ao óvulo. Os antepassados dos jacarés nos ensinaram a copular Jim Degerstrom/Pixabay A invenção do sexo O sexo é a maneira mais eficiente e direta de conseguir a fertilização. É assim que répteis, pássaros e mamíferos modernos se reproduzem. Até esta "inovação", a fertilização só poderia ocorrer externamente, na água. Os anfíbios foram os primeiros vertebrados a ir para a terra. Mas, porque sua fertilização ocorria externamente, eles precisavam retornar à água para se reproduzir. Os répteis recém-evoluídos fizeram as coisas de maneira diferente. Fertilizaram e desenvolveram seus ovos dentro das fêmeas. Os ovos tinham revestimentos duros e impermeáveis e continham líquido amniótico, com toda a energia e água necessárias para sustentar uma vida, algo que os anfíbios precisavam procurar em rios e lagos. Assim, ovo representou uma revolução. Mais tarde, os mamíferos mantiveram esses fluidos de suporte vital e forneceram nutrição através de uma placenta. Mas ainda somos filhos desse primeiro réptil amniótico. Os ovos são a embalagem perfeita: suas conchas resistentes mantêm tudo o que é necessário para o embrião se desenvolver sem a necessidade do mundo externo Pixabay Os desertos de Pangeia eram uma barreira impenetrável para os anfíbios. Mas, para os répteis, a história era diferente. O desenvolvimento da fertilização interna e do ovo amniótico permitiram que eles se espalhassem e prosperassem em ambientes áridos. É um maravilhoso exemplo de como a mudança ambiental pode ser o catalisador de avanços que eventualmente levaram à nossa evolução. E é interessante pensar que o modo como fazemos sexo foi moldado por aqueles desertos de um passado tão distante.
Há 50 anos, um sonho de longa data foi realizado: chegar e voltar da Lua, aquele satélite tão familiar, mas tão desconhecido - uma história que tem muitos detalhes interessantes. Astronauta Neil Armstrong na Lua Divulgação/Nasa "Decidimos ir à Lua não porque é fácil, mas porque é difícil", disse o ex-presidente dos Estados Unidos John F. Kennedy (1917-1963) em setembro de 1962. A frase ficou na memória de várias gerações em relação ao evento histórico. Mas a meta vinha acompanhada de um prazo: levar um homem à Lua e trazê-lo de volta à Terra até o fim da década. Kennedy foi assassinado no ano seguinte e nunca chegou a saber se seu país ganhou a corrida espacial contra sua rival, a União Soviética, que já havia realizado dois feitos ao colocar em órbita o primeiro satélite, o Sputnik, em 1957, e ao mandar o primeiro homem ao espaço, Yuri Gagarin, em 12 de abril de 1961. Fotos da Nasa mostram onde caiu aeronave israelense que deveria ter pousado na Lua Em plena Guerra Fria, os Estados Unidos precisavam que seu primeiro passo nesse sentido fosse de uma magnitude igual aos de Moscou Pouco antes do prazo estabelecido por Kennedy expirar, a Nasa conseguiu: em 20 de julho de 1969, o astronauta Neil Armstrong (1930-2012) fez história ao se tornar o primeiro homem a pisar na Lua. A frase que pronunciou ao colocar o pé esquerdo sobre a superfície do satélite natural da Terra se tornou uma das mais conhecidas na história: "Este é um pequeno passo para um homem, um salto gigantesco para a humanidade". Mas Armstrong não estava só. Na arriscada missão Apollo 11, estava acompanhado por Michael Collins e Edwin "Buzz" Aldrin. Ainda que Collins não estivesse no módulo que aterrissou na Lua - só havia espaço para dois astronautas -, Aldrin, o piloto, estava ao lado de Armstrong e também desceu para admirar a paisagem. Mas o que ele disse ao pisar na Lua? Esse é um dos detalhes não tão conhecidos da missão que completa 50 anos neste ano e que foi a realização de um sonho alimentado pelo homem desde o início dos tempos. 1. Envelopes assinados pelos astronautas Apesar dos seguros terem sido criados para indenizar aqueles que se arriscavam a empreender viagens pelos mares do mundo, as empresas seguradoras resistiram a prestar seus serviços a outro tipo de viajante, o do espaço. Esta aventura lhes pareceu perigosa demais. A Nasa deu aos astronautas um seguro de vida básico, mas Armstrong, Aldrin e Collins continuavam preocupados com o futuro de suas famílias caso ocorresse um desastre. Eles assinaram então envelopes comemorativos da missão, adornados com imagens e selos sobre a Apollo 11. Assim, se morressem, suas famílias poderiam vendê-los a colecionadores. Agência espacial pretende mandar novamente homem à Lua NASA 2. Um discurso para o caso de desastre Os astronautas não foram os únicos a se planejar para o pior. Se tudo falhasse, quem deveria comunicar isso ao mundo seria o presidente americano na época, Richard Nixon (1913-1994) - e não seria um bom momento para improvisar. O responsável pelos discursos presidenciais, Bill Safire (1929-2009), preparou o texto que ninguém queria escutar, lamentando a morte de Armstrong e Aldrin caso eles ficassem presos na Lua. Safire havia falado com a Nasa e sabia que havia uma boa chance de que isso ocorresse. Sonda chinesa pode confirmar teoria sobre origem da Lua O texto "Em caso de desastre lunar" usa palavras edificantes para elogiar a valentia o sacrifício e o espírito explorador dos astronautas. "O destino quis que os homens que foram à Lua para explorar em paz fiquem na Lua para descansar em paz. Esses bravos homens, Neil Armstrong e Edwin Aldrin, sabem que não há esperança de sua recuperação. Mas eles também sabem que há esperança para a humanidade em seu sacrifício. Esses dois homens estão dedicando suas vidas ao objetivo mais nobre da humanidade: a busca da verdade e da compreensão. Eles serão lamentados por suas famílias e amigos; eles serão lamentados pela nação; eles serão lamentados pelas pessoas do mundo; eles serão lamentados por uma Mãe Terra que ousou enviar dois de seus filhos para o desconhecido. Em sua exploração, eles levaram as pessoas do mundo a se sentirem como uma só; em seu sacrifício, eles fortaleceram os laços da irmandade humana. Nos dias antigos, os homens olhavam para as estrelas e viam seus heróis nas constelações. Nos tempos modernos, fazemos o mesmo, mas nossos heróis são homens épicos de carne e osso. Outros os seguirão e certamente encontrarão o caminho de casa. A busca do homem não será negada. Mas estes homens foram os primeiros, e permanecerão em nossos corações. Todo ser humano que olhar para a Lua nas noites por vir saberá que há algum canto de outro mundo que é para sempre da humanidade." 3. Uma bomba nuclear a bordo O foguete Saturn 5 levou a Apollo 11 ao espaço. Era tão poderoso que equivalia a pilotar uma bomba nuclear. Pesava mais de 2,8 milhões de quilos. Com 111 metros de altura, superava em 18 metros a Estátua da Liberdade. Funcionava em três etapas, e cada uma se separava da nave depois de realizar seu trabalho. Lua está encolhendo e sofrendo abalos de terremotos O foguete gerava 34,5 milhões de newtons de empuxo no lançamento. Um newton é a força necessária para proporcionar uma aceleração de 1 m/s² a um objeto de 1 kg de massa. Devido ao calor que produzia, exigiu uma zona de exclusão de 5 km ao redor da plataforma de lançamento. A distância era tal que os espectadores só escutaram seus motores funcionando 15 segundos depois - para eles, era como se a Apollo 11 tivesse decolado em silêncio. 4. Um foguete criado por um cientista que foi ligado ao nazismo O diretor do Centro Marshall de voos espaciais, a sede original da Nasa, era o professor Wernher Von Braun (1912-1977), um ex-cientista nazista e o cérebro por trás do Saturn 5. O foguete se baseava em uma tecnologia que Von Braun havia desenvolvido para o programa de foguetes V-2 de Adolf Hitler (1889-1945) durante a Segunda Guerra Mundial. Mais tarde, já como cidadão americano, Von Braun se tornou dos físicos e engenheiros do Terceiro Reich que trabalharam para a Nasa. Ele era conhecido por sua cuidadosa abordagem científica, mas, no entanto, alguns críticos diziam que era cauteloso demais e o culpavam pelo fato de os soviéticos terem levado um homem ao espaço primeiro. 5. Fogo na Lua Quem melhor para cobrir a maior notícia da década - ou, dependendo do ponto de vista, do século - que não um dos mais famosos escritores americanos, Norman Mailer (1923-2007)? Não só era um grande nome do jornalismo literário, mas também havia estudado engenharia aeroespacial na Universidade Harvard. A revista o contratou e o enviou a Houston e a Cabo Canaveral para que testemunhasse o voo da Apollo 11 e escrevesse sobre o acontecimento inédito. Mailer chegou com a expectativa de se ver em meio a um ambiente de emoção e magia. No entanto, enquanto perambulava pelo Centro de Naves Espaciais Tripuladas, a Nasa lhe pareceu um lugar estéril e pouco inspirador. Em escritórios sem janelas, as pessoas comiam olhando para telas de computador. Pareciam estar apaixonadas pelas máquinas, aos olhos de Mailer, que imaginou um futuro em que tudo seria feito digitalmente, até mesmo se relacionar romanticamente com outra pessoa. Mesmo assim, foi tomado pela emoção do acontecimento. "Todo o mundo de preparou para presenciar o grande final da semana mais importante desde o nascimento de Jesus Cristo (...) Através da eletricidade estática dos alto-falantes, chegavam frases soltas. 'A águia está ótima, está tudo bem', chegou aos ouvidos, junto com dados sobre a altitude. 'Tudo pronto para o desembarque, fim!' 'Tudo bem, tudo pronto para o desembarque, 900 metros'. Assim (...), eles se prepararam para entrar pelo funil de um evento histórico cuja importância poderia igualar a da morte (...) É também assim a experiência de estar prestes a nascer? Você aguardava um em uma sala moderna, entre estranhos, enquanto números eram anunciados?: 'Alma número 77-48-16, pronto, vá para a área CX, será concebida em 16,04 horas' (...) -'Houston, aqui a base Tranquilidade. A águia pousou. Era a voz de Armstrong, a voz serena do maior garoto da cidade, aquele que te puxa para fora do mar quando você está se afogando e foge antes que você possa oferecer uma recompensa. (...) A Lua falava de buracos, torturas, cicatrizes, queimaduras e fusões de magma fervente. Massacrada, desmembrada, esquartejada, torcida, espancada, uma terra de desertos na forma de círculos de 80 e até 130 quilômetros de diâmetro, uma terra de anéis montanhosos, alguns mais altos do que o Himalaia, uma terra de recessos ocos e crateras sem fim, crateras dentro de crateras, que, por sua vez, residiam dentro de outras crateras ...". Essas são algumas das 115 mil palavras registradas no livro De um Fogo na Lua, publicado em três edições da revista Life, entre 1969 e 1970, e mais tarde publicado como livro. 6. A segunda pisada Em 21 de julho, às 05h56 do horario de Brasília, Armstrong se tornou o primeiro homem a caminhar sobre a Lua. Enquanto o astronauta pronunciava as palavras cuidadosamente escolhidas pela Nasa que fizeram história, Aldrin o filmava a partir do módulo lunar. Após 19 minutos, ele se juntou a Armstrong na superfície do satélite. Fechou a porta da cabine com cuidado e contemplou a paisagem cinza e branca. Estavam a 380 mil km de distância da Terra, que se parecia com uma bola de gude. "Bela vista", disse Aldrin. Logo Armstrong concordou e acrescentou: "Magnífica desolação". Mas o que disse o terceiro homem a pisar na Lua? "Uhuuuu! Cara, esse pode ter sido um pequeno passo para Neil, mas foi um grande passo para mim", falou Charles Conrad Jr. (1930-1999), comandante da missão Apollo 12, em 20 de novembro de 1969. Buzz Aldrin na Lua em 1969 Nasa/Divulgação
Dermatologista explica as principais alterações que o envelhecimento provoca no maior órgão do corpo A pele é o maior órgão do corpo e onde o envelhecimento se torna mais visível. Esse “espelho” da passagem do tempo acaba fazendo com que a área da dermatologia não fique restrita ao campo da saúde e tenha uma relação direta com a autoestima. São tantos os assuntos que interessam a quem passou dos 50, que escolhi alguns tópicos para a conversa que tive com a dermatologista Flávia Addor, que tem mestrado pela USP (Universidade de São Paulo) e extensão universitária na Vrije university, em Bruxelas. Pós-graduada em nutrologia, é autora de diversos artigos e dos livros “Envelhecimento cutâneo”, em parceria com Denise Steiner, dirigido a profissionais; e “Doce voo da juventude”, com o clínico geral Alex Botsaris. Por último, mas não menos importante, fiquei feliz de saber que a doutora Flávia é adepta da slow medicine (medicina sem pressa), que foi tema deste blog e cujo objetivo é fazer com que a abordagem médica dedique o tempo que for preciso para avaliar o paciente como um todo. Como as funções fisiológicas normais da pele vão diminuindo com a idade, ela vai se tornando mais frágil. Há um motivo para temos a impressão de que está fininha e sensível como se fosse “de papel”, como explica a dermatologista: “a espessura do colágeno diminui e há um declínio da coesão na junção da derme com a epiderme. Nesse caso, qualquer pequeno trauma leva a um rompimento da pele”. A dermatologista Flávia Addor: os estragos causados pela exposição solar são conhecidos como fotodano Divulgação A proteção tem que ser redobrada, principalmente porque boa parte da geração acima dos 50 não usou filtro solar. “Os estragos causados pela exposição solar se chamam fotodano”, diz a médica. “Os problemas tendem a surgir de maneira precoce, e grave, quando a pessoa não se protege”, completa. Ela lembra que as melanoses solares, que são conhecidas popularmente como manchas senis, também são resultado da exposição ao sol, e acrescenta que estudos recentes demonstraram que a poluição atmosférica tem uma ação oxidativa bastante prejudicial. Hidratação é fundamental, ainda mais porque idosos têm a pele desidratada, com menor oleosidade e elasticidade. A doutora Flávia recomenda cremes com maior poder oclusivo (para permanecerem no tecido) e hidroscópico (capazes de reter a água). Sobre a necessidade de pegar sol para evitar a deficiência de vitamina D, recomenda: “com a idade, perdemos a capacidade de sintetizar a vitamina D através da exposição aos raios solares e torna-se indispensável usar o suplemento vitamínico. O idoso que se expõe ao sol vai se tornar mais suscetível a tumores”. No quesito banho, o ideal é optar pela água morna, na temperatura do corpo, e nunca por tempo prolongado. Os sabonetes líquidos que disponham de um sistema de higienização menos agressivo são os indicados – basta procurar produtos Syndet. Suplementos vitamínicos com biotina, que faz parte do conjunto de vitaminas conhecido como complexo B, têm efeito positivo para as unhas, mas a dermatologista lembra há doenças, como disfunções da tireoide, “que podem acarretar alterações na lâmina ungueal. Por isso é sempre importante investigar as causas”, diz. Depois da menopausa, é comum que as mulheres se vejam às voltas com indesejáveis pelos faciais. “Eles podem surgir no queixo ou no buço e surgem devido à queda na produção do estrógeno, um hormônio sexual feminino. A falta do hormônio também afeta os cabelos, que se tornam mais finos. Há tratamentos de reposição de testosterona que podem minimizar tais efeitos, mas que só devem ser feitos com a supervisão de um ginecologista ou endocrinologista, sob pena de efeitos adversos graves”, enfatiza. No entanto, o que incomoda muito as mulheres é a flacidez facial e do pescoço. Explicação científica: os coxins gordurosos perdem volume e modificam o contorno facial. Como resultado, o rosto se torna encovado e aparece aquela “expressão de buldogue”, de bochechas flácidas. Segundo a doutora Flávia, embora o Brasil esteja em segundo lugar em procedimentos estéticos e a dermatologia cosmética disponha de recursos e ótimos profissionais, o país enfrenta um sério problema: “pessoas não qualificadas vêm realizando esses procedimentos, agindo com total irresponsabilidade. Os danos podem ser terríveis e não há parâmetros em nenhum outro país com o que está acontecendo aqui”. Pele saudável depende ainda de alimentação e sono de qualidade. “A alimentação tem que estar baseada em três pilares. O primeiro é a ingestão proteica adequada. O segundo é a redução de alimentos de alto valor glicêmico, para evitar a instalação ou o agravamento do diabetes que, além de todas as complicações de saúde, acelera a flacidez. O terceiro é a ingestão de antioxidantes”, ensina.
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